DELAÇÃO BOMBÁSTICA

Donos da JBS confessam R$ 25,5 milhões em propina em Mato Grosso

FOLHAMAX

Em colaboração premiada a Procuradoria Geral da República, os donos e diretores do grupo JBS/Friboi detalharam um esquema de corrupção para sonegação de impostos em Mato Grosso, onde estão concentrados a maioria dos  abatedouros da empresa.

Ao todo, o grupo pagou R$ 25,5 milhões para o grupo liderado pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB), preso há um ano e oito meses por diversos escândalos de corrupção e que já assumiu que vai confessar publicamente os fatos.

No documento obtido com exclusividade pelo FOLHAMAX, os irmãos Joesley e Wesley Batista e ainda o diretor Valdir Boni contam que Silval Barbosa esteve na sede da empresa, em São Paulo (SP), tão logo assumiu o Governo do Estado em 2010.

Neste encontro, o ex-governador pediu ajuda financeira ao grupo argumentando que seriam “compensados por redução dos impostos estaduais”.

Na delação, os irmãos Batista dizem não se recordar se colaborara, através de caixa dois, na campanha do peemedebista.

Todavia, em 2012, o diretor Valdir Boni se reuniu com Silval Barbosa e o ex-secretário, Pedro Nadaf, onde acertaram um protocolo de intenções dando créditos de R$ 73,563 milhões para a JBS/Friboi abater no pagamento do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias).

Neste mesmo encontro, de acordo com a delação, o próprio Silval pediu propina em “contrapartida a assinatura do protocolo de intenções”. Ficou definido que seriam pagos R$ 10 milhões por ano pelo frigorífico ao grupo do ex-governador, totalizando R$ 30 milhões.

No entanto, em 2014, o pagamento “não foi efetuado na íntegra”. Com isso, o pagamento foi feito de R$ 23,5 milhões.

DESTINO DA PROPINA

Os diretores da JBS/Friboi detalharam como foi paga a propina para os integrantes do grupo do ex-governador. A empresa Carol Mila Agropecuária Ltda, que tem sede em Colíder, recebeu R$ 7,5 milhões através da compra maquiada de caminhões pelo rede de frigoríficos.

Também foram repassados R$ 200 mil a empresa  NBC Consultoria de propriedade de Pedro Nadaf “mediante nota falsa”.

Outra beneficiada foi a Trimec Construções, que recebeu pagamento de R$ 1 milhão também com notas falsas, assim como a construtora Sab com R$ 1,3 milhão.

O grupo, em três anos, também repassou R$ 13 milhões para terceiros por orientação de Pedro Nadaf.

Os funcionários da JBS/Friboi, identificados como Florisvaldo e Demilton, fizeram ainda a entrega de R$ 2,5 milhões em dinheiro na sede da empresa para emissários de Nadaf e Silval.

Numa das ocasiões, quem recebeu o dinheiro foi Karla Cecília Oliveira Cintra, secretária de Nadaf. Após ser presa na “Operação Sodoma”, ela confessou os crimes e responde em liberdade.

delacaowesley.jpg

delacaowesley2.jpg

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.