PRISÃO DE EX-SECRETÁRIO

Perri diz que Rogers passou informações sigilosas para Paulo Taques

MATO GROSSO MAIS

O desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Orlando de Almeida Perri, em sua decisão, de quase 100 páginas, de mandar prender o ex-secretário da Casa Civil do Estado, Paulo César Zamar Taques, nesta sexta-feira (4), alegou em trechos da decretação de prisão preventiva que o ex-gestor ainda tinha forte influência dentro do Governo, após ter deixado o cargo.

Segundo Perri, o secretário de Segurança Pública do Estado, Rogers Elizandro Jarbas, teria lhe passado informações sigilosas sobre as investigações referente a possíveis escutas ilegais feitas no município de Lucas do Rio Verde (MT) nas eleições do ano passado para prefeitura da cidade.

Paulo Taques, em razão do inequívoco prestígio que ostenta, mesmo após “sair” do Governo, ao invés de buscar acesso aos autos de inquérito policial sigiloso, como todo e qualquer cidadão comum, ou seja, por meio de petição dirigida ou ao delegado que preside o inquérito, ou ao Poder Judiciário, vem se valendo de sua influência com outras autoridades para obter benefícios indevidos.

Com a finalidade de tomar conhecimento sobre a existência de investigação, ou não, contra sua pessoa, acerca dos fatos ocorridos em Lucas do Rio Verde, o escritório de advocacia Zamar Taques Advogados Associados peticionou, diretamente, ao Secretário de Estado de Segurança Pública, Rogers Elizandro Jarbas, pedindo cópia do procedimento que tramitava sob sigilo.

E o curioso, para não se dizer inusitado, é que o Secretário de Segurança Pública, simplesmente, “proferiu decisão” no pedido feito, determinando o fornecimento de cópias, mesmo sabendo que os fatos eram sigilosos“, diz trecho da decisão.

Para o desembargador, o objetivo de Paulo Taques seria de mandar um recado ao delegado responsável pelas investigações, à época, Flávio Stringueta, chefe da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO).

“30/06/2017

Ao Exmo. Delegado Geral

Por se tratar de fatos, em tese, sigilosos, opto por entregar em mãos e, ato contínuo, requeiro que cópia do procedimento seja entregue ao Delegado Flávio Stringueta para que se manifeste e, caso haja procedimento investigativo instaurado à luz da CF/88, que forneça as cópias requeridas”.

Se isso não é influência indevida, exercida por Paulo Taques, no curso das investigações, sinceramente, não sei dizer o que é.

Além disso, a intenção de Paulo Taques, a meu sentir, não era apenas obter informações a procedimentos sigilosos, mas, sobretudo, mandar recado ao delegado de polícia responsável pela investigação, de que possui acesso amplo e irrestrito ao Chefe da Instituição, isto é, ao Secretário de Segurança Pública.

Outro ponto inusitado, e que também requer uma breve consideração, diz respeito ao comportamento adotado pelo Secretário de Estado de Segurança Pública de Mato Grosso, interferindo diretamente na apuração destes fatos“, diz trecho da decisão que levou Paulo Taques à prisão.


ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO

  • 6 de agosto de 2017 às 06:55:17
  • 6 de agosto de 2017 às 06:54:41

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