MORTE DE RODRIGO CLARO

Família estranha postura e diz que Assof age por corporativismo; veja

MATO GROSSO MAIS

O pai do aluno Bombeiro, Rodrigo Patrício Lima Claro, de 21 anos, morto em novembro do ano passado, conversou com Mato Grosso Mais, nesta quinta-feira (10).

Antonio Claro disse que a família ainda não se recuperou da tragédia e que ainda precisa de tratamento médico para lhe dar com a situação.

Nesta quarta-feira (9), porém, a família diz que se surpreendeu com uma nota pública emitida pela Associação dos Oficiais da Polícia e Bombeiro Militar de Mato Grosso (Assof) em que praticamente isenta a tenente Izadora Ledur de responsabilidade na morte de Rodrigo Claro.

Antonio Claro, que também é militar do Corpo de Bombeiros, criticou a Associação dos Oficiais da PM e do Bombeiros de MT (Assof) pela nota divulgada. Leia mais aqui.

O pai de Rodrigo Claro disse que a Assof agiu de forma corporativista ao tentar defender Ledur.

Segundo ele, nem mesmo a família tinha conhecimento de informações divulgadas pela Assof ontem.

Antonio Claro lembrou que a Justiça já aceitou denúncia proposta pelo Ministério Público do Estado contra a oficial por causa das provas levantadas nas investigações.

De acordo com a denúncia feita pelo Ministério Público do Estado, a morte de Rodrigo Claro aconteceu no dia 10 de novembro de 2016 durante o treinamento de atividades aquáticas em ambiente natural do 16º Curso de Formação de Soldado Bombeiro do Estado de Mato Grosso realizado na Lagoa Trevisan, em Cuiabá.

O MPE destacou que apesar de apresentar excelente condicionamento físico, o aluno demonstrou dificuldades para desenvolver atividades como flutuação, nado livre, entre outros exercícios.

A tenente Izadora Ledur foi denunciada por crime de tortura com resultado morte do aluno Rodrigo Claro. Além dela, outros 5 militares também foram denunciados pelo mesmo crime.

INVESTIGAÇÃO SUSPENSA NO BOMBEIROS

Na última terça-feira (8), o Comando Geral do Corpo de Bombeiros explicou a situação das seis licenças tiradas pela tenente Izadora Ledur de Souza, desde a morte do aluno Rodrigo Patrício Lima Claro, de 21 anos, em novembro do ano passado.

Após a morte do aluno, Ledur pegou a primeira licença médica por 10 dias.

Na sequência, vieram outra cinco licenças.

A última, obtida no dia 2 de agosto, a tenente vai ficar afastada de 18 de julho (retroativo) a 15 de outubro.

Segundo Alessandro Borges, comandante-geral do Bombeiros, ele assina os documentos que autoriza a licença médica da oficial, o afastamento das funções só é feito após a militar passar por um médico que concede o tempo de licença e, mesmo assim, ela ainda é obrigada a passar por uma perícia médica do Estado, em caso da licença ser superior a três dias, para que seja validado o atestado médico.

De acordo com o comandante-geral, esse processo é automático e impede que ele negue de conceder, já que está dentro da legalidade.

Na nota, o Comando Geral do Bombeiros também informa que a tenente Izadora Ledur é alvo de uma investigação, chamada de Conselho de Justificação, que tem o prazo de 45 dias para dizer se ela é inocente ou culpada pela morte do aluno Rodrigo Claro.

Em sendo culpada, Izadora Ledur corre o risco de ser expulsa da Corporação, de acordo com informações do Corpo de Bombeiros.

Mas por causa das licenças médicas que vem tirando, o prazo da investigação é suspenso automaticamente até que a oficial retorne aos trabalhos para que possa acompanhar os trabalhos do Conselho de Justificação.

Veja nota na íntegra abaixo:

O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso esclarece à sociedade que os casos de investigação e processos administrativos por conduta dos militares seguem estritamente os procedimentos previstos em lei.

O Estatuto dos Militares do Estado de Mato Grosso (Lei Complementar Nº 555, de 29 de dezembro de 2014) estabelece o direito de defesa do militar que responde ao Conselho de Justificação que tem prazo de até 45 dias para emitir o relatório.

É exigida a presença do justificante em cada sessão do Conselho, existindo a possibilidade do processo seguir à revelia se não houver resposta.

É sabido que a Tenente Izadora Ledur, apresentou atestados de licença médica e que a impossibilidade do seu comparecimento às reuniões do Conselho fazem parar a contagem do tempo para o prazo exigido no vigor da sua licença.

A Perícia Médica da Secretaria de Gestão do Estado de Mato Grosso, ao validar um atestado médico apresentado por um servidor, automaticamente declara que o seu superior licencie o servidor no prazo coberto pelo atestado. A licença automática impede que o superior se negue a concedê-la.

Desta forma, mesmo que conste a decisão do Comandante-Geral do CBM, a validação da dispensa se dá pela Perícia Médica, cabendo ao administrativo do CBM acatar as conseqüências administrativas.

O CBM compreende que a morte do soldado Rodrigo Patrício Lima Claro, durante as atividades de um curso, cause comoção nas pessoas.

Aos militares da corporação não é diferente, no entanto destaca que os procedimentos devem ser seguidos, resguardando os prazos legais e os direitos da acusada.


ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO

  • 11 de agosto de 2017 às 11:27:13
  • 11 de agosto de 2017 às 08:53:25

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