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Cuiabá, quarta, 23 de maio de 2018

ENTRE 2010 E 2015

Controladoria Geral do Estado processa JBS por suposto pagamento de propina para obter ICMS

LIGIANI SILVEIRA / REPÓRTER CGE-MT

Divulgação

A Controladoria Geral do Estado (CGE-MT) instaurou processo administração de responsabilização em desfavor da empresa JBS S/A por suposto pagamento de propina a agentes públicos para obter junto ao Governo de Mato Grosso incentivos fiscais do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) entre os anos de 2010 e 2015.

A abertura do processo (Extrato da Portaria n. 106/2018/CGE-COR) foi publicada no Diário Oficial do Estado que circula nesta terça-feira (13.03).

A empresa será investigada também por suposta omissão no dever de informar à Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz-MT) os lançamentos do ICMS a recolher, o que teria impedido a contabilização e o acompanhamento da renúncia fiscal usufruída.

Outra conduta a ser apurada no processo é que, com os incentivos fiscais recebidos, a empresa teria agido de modo antieconômico com o mercado ao comprar plantas frigoríficas para afastar concorrentes e, posteriormente, fechar unidades e demitir trabalhadores.

O processo de responsabilização é desdobramento de auditoria realizada pela própria CGE em 2015 (Relatório de Auditoria nº 134/2015) sobre a concessão de incentivos fiscais como parte do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic).

No trabalho, a CGE identificou ausência de controle na concessão e no acompanhamento da renúncia fiscal entre os anos de 2010 e 2014, período no qual a empresa JBS esteve entre as oito principais beneficiadas em Mato Grosso.

Somente no período de 2012 a 2014, a empresa foi beneficiada com R$ 123.462.455,32 de incentivo fiscal.

A apuração de responsabilidade decorre também das análises da CGE no acordo de colaboração do ex-governador Silval Barbosa e de sua família no âmbito da Procuradoria Geral da República (PGR).

Em janeiro deste ano, o ex-chefe do Governo de Mato Grosso voluntariamente prestou declarações à CGE em sede de investigações preliminares para coleta de mais elementos que possam subsidiar a abertura de novos ou o aditamento dos processos administrativos já em curso para apurar o envolvimento de empresas e servidores nos ilícitos delatados.

Nas oitivas à CGE, o ex-chefe do Governo de Mato Grosso reiterou e detalhou os atos lesivos supostamente praticados pela empresa JBS.

O processo de responsabilização tem como fundamento a Lei Anticorrupção (Lei Federal 12.846/2013). Uma das eventuais penalidades é a aplicação de multa de até 20% do faturamento bruto da empresa no exercício anterior ao da instauração do processo.

Outras sanções administrativas: restrição ao direito de participar de licitações e de celebrar contratos com a administração pública por até 5 anos, bem como publicação de eventual condenação na sede e no site da própria empresa e em jornal de grande circulação local e nacional.

Como a aplicação da Lei Anticorrupção não se limita somente ao Poder Executivo, a CGE está atuando de maneira articulada com o Ministério Público Estadual (MPE) no sentido de intentar tratativa nos moldes da efetivada em plano nacional, do Ministério Público Federal (MPF) com a empresa, a fim de obter os valores necessários à reparação total dos danos causados à administração pública estadual.

O OUTRO LADO 

Em nota, a empresa JBS afirmou que está colaborando com as investigações do Ministério Público Estadual, leia:

“Sobre os fatos referentes a Mato Grosso, a companhia informa que os colaboradores já apresentaram informações e documentos à Procuradoria Geral da República e ao Ministério Público Federal no âmbito da investigação em curso e que estão sendo tratados dentro dos trâmites legais. Os colaboradores continuam à disposição para cooperar com a Justiça.”


ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO

  • 13 de Março de 2018 às 13:54:42

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