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Cuiabá, quinta, 17 de janeiro de 2019

ECONOMIA

BC dos EUA deve confirmar nova alta dos juros

G1

REUTERS/Kevin Lamarque

O Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) deve anunciar nesta quarta-feira (19) mais um aumento das taxas de juros, na última reunião de política monetária de 2018 – contrariando – e possivelmente irritando – o presidente do país, Donald Trump.

A ampla maioria dos analistas espera um aumento dos juros em 25 pontos base, para o intervalo de 2,25% e 2,5% ao ano. Se confirmado, será o quarto aumento dos juros em 2018 e a nona elevação desde que o Fed iniciou o ciclo de aperto monetário em dezembro de 2015.

Os analistas ainda aguardam indícios do presidente do Fed, Jerome Powell, e dos demais dirigentes do BC dos EUA sobre os próximos passos da política monetária. A última ata do Fed mostrou, por exemplo, que já há um debate sobre quando interromper as altas de juros, mesmo com o provável aumento desta quarta-feira.

Por ora, o mercado projeta três aumentos das taxas de juros em 2019 e um no início de 2020. Mas novas projeções econômicas a serem divulgadas junto com o comunicado do Fed podem sugerir uma reduçãor do número de altas previstas para o próximo ano e sinalizar um fim mais cedo para o aperto monetário diante da volatilidade no mercado financeiro e do aumento nos temores de recessão.

“Estamos em um ponto de inflexão”, disse à Reuters Carl Tannenbaum, economista-chefe da Northern Trust. “Estamos mais provavelmente vendo desaceleração do crescimento e não sabemos quanto de crescimento e que tipo de crescimento sobrará após o estímulo fiscal passar. E é por isso que eles não sabem se precisam de zero, uma ou mais altas de juros.”

Críticas de Trump

A política monetária virou alvo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Pelas redes sociais, nesta semana, Trump publicou uma série de postagens criticando a elevação de juros pelo Fed, por possivelmente enfraquecer o ritmo de crescimento da economia.

“Não deixem o mercado se tornar mais ilíquido do que já está. Parem com os 50 pontos básicos. Sintam o mercado, não se guiem apenas por números sem sentido. Boa sorte!”, escreveu Trump.

Há tempos o presidente dos EUA vem criticando a política de elevação de juros do Fed, por enfraquecer o ritmo de crescimento da economia. Segundo ele, é necessária a flexibilidade de taxa de juros mais baixa para sustentar a economia dos EUA em meio à batalha comercial conta a China, e potencialmente contra outros países.

Em outubro, ele acusou o presidente do Fed, Jerome Powell, de “ficar alegre ao aumentar as taxas de juros”.

Desde o final de 2015 e após quase dez anos de taxas praticamente nulas para sustentar um crescimento que não decolava, o Fed foi progressivamente aumentando os juros, hoje oscilando entre 2% e 2,25%.

O objetivo das altas recentes é evitar o crescimento da inflação e o superaquecimento de uma economia fortemente estimulada pela redução de impostos adotada por Trump.

Efeitos no Brasil

Quando os juros sobem nos Estados Unidos, a economia norte-americana se torna mais atraente para investimentos aplicados atualmente em outros mercados como o Brasil, motivando assim uma tendência de alta do dólar em relação ao real.

Os títulos do Tesouro americano, atrelados à taxa de juros norte-americana, são considerados o investimento mais seguro do mundo. No cenário de aumento de juros, esse fluxo de capital pode levar a uma tendência de alta do dólar em relação a moedas emergentes como o real.

A decisão de investimentos depende, entretanto, do apetite de risco dos investidores. Os mais conservadores tendem a procurar economias mais seguras para alocar seu capital, mesmo que paguem juros mais baixos. Em 2008, por exemplo, durante a crise do subprime nos Estados Unidos, a demanda por títulos do Tesouro americano cresceu.

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