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Campanha Cuiabá 300 anos Unimed
Cuiabá, quarta, 24 de abril de 2019

Repassem sem dó

Reprodução

Essa frase, quase um pedido, soa mais como uma proposta de articulação contra um inimigo tão imaginário quanto a boa intenção de quem a difunde. Ela pode ter sido o motivo pelo qual a maior rede de comunicação do país e uma das maiores do mundo iniciasse a campanha “a globo não mostra” a algumas semanas em seu programa dominical de atualidades.

As cenas finais daquele programa foram no mínimo uma declaração de intenção e o reconhecimento de que já vivem a desesperança do declínio. Reflexo que se verifica quando de sua posição ambígua frente a quem se atreva a não lhes estender a mão pedindo cartas como se fossem eles os crupiês do jogo de pôquer da imprensa brasileira.

A mesma situação é vivida pelo que resta da politocracia em que se tornou o país nas últimas três décadas, desde a Constituição de 1988, aquela que a princípio conhecemos como a constituição cidadã, mas que de tão manipulada foi transformada na constituição dos políticos. A começar pelas mudanças em seu Artigo Primeiro, Parágrafo Único, alterado para permitir os privilégios do poder a quem o exerce. Onde se lia “todo poder emana do povo e em seu nome é exercido” lê-se desde então “todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos direta ou indiretamente, nos termos desta Constituição”. Assim, uma nova constituição foi sendo reescrita por políticos para os políticos e para tornar-se sua própria tábua de salvação.

E o povo? O povo que se dane? O que nossos representantes eleitos menos fizeram até agora foi prestar contas a nós, seus representados eleitores, do que dizem fazer em nosso nome e que em verdade só a eles beneficia.

Dai, como se fossemos replicadores autômatos recebemos o tempo todo mensagens que dizem traduzir a verdade, que mostram a crueza dos fatos, que apresentam fatos incontestáveis, que prometem reverter situações irreversíveis e outras esperanças mais, bastando para tanto que vocês repassem sem dó seu conteúdo.

Ora bolas, isso é como tentar abraçar o vento. Um impropério tão grande como aquele que certa presidenta pensou poder ser feito ao sugerir estocá-lo como fonte de energia.

Marcelo Portocarrero é Engenheiro Civil/UFMT.


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