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GAME OF THRONES

Porto Real conhece Fogo e Sangue em penúltimo episódio

HBOI

Há uma frase conhecida na cultura pop, dita pelo vilão Duas Caras do Batman, que é “ou você morre como herói, ou vive o suficiente para se tornar um vilão”. E Game of Thrones parece levar esse ditado à risca no penúltimo episódio da série, que foca na destruição causada pela Mãe de Dragões em Porto Real.

É interessante ressaltar, no entanto, o quanto a própria Daenerys aparece pouco em cena. Logo no começo ela executa Varys, o que deixa Tyrion e Jon apreensivos, mas é sua conversa com o caçula Lannister que assusta mais: Dany se sente traída por todos, desde Jon até Tyrion, e não parece disposta a ouvir conselhos de ninguém. Em uma das poucas cenas com Emilia Clarke em si, a série também explica como funciona a cabeça da personagem. Para ela, só existem os caminhos do amor ou do medo, e como não conquistou o primeiro sentimento em Westeros, ela se afunda completamente no segundo.

Tal medo é real e representado muito bem no episódio ao mostrar o povo simples de Porto Real fugindo de Daenerys. Todos os que estão ali ouviram profecias sobre os Targaryen e seu dragões e têm medo. A música cria uma grande tensão antes do ataque e, quando chega o momento da guerra, Daenerys mostra que aprendeu. Ela não fica mais à deriva esperando ser acertada pelos escorpiões de Porto Real. A Mãe de Dragões se movimenta rapidamente em Drogon e aproveita a lentidão para carregar os escorpiões para acabar com todos eles.

É nesse ponto que o episódio reflete a frase dita no começo deste texto. Dany ouve os sinos que representam a rendição da cidade. Não há mais escorpiões, a Companhia Dourada entregou suas armas e ela venceu. Mas ao ver a Fortaleza Vermelha, ao vislumbrar que Cersei ainda poderia ter cartas na manga para derrubá-la, Daenerys finalmente perde o controle e ataca a cidade de modo injustificável, matando inocentes. É curioso, no entanto, como o sentimento dela é refletido no exército (que restou) dos Dothraki e nos Imaculados, representados por Verme Cinzento. Quando este personagem ataca um homem desarmado pelas costas, fica claro que sua motivação ali não é o treinamento dos Imaculados ou dar a vitória para Daenerys. Verme Cinzento quer apenas vingança pela morte de sua amada Missandei. Ele quer descontar em qualquer pessoa que fique em seu caminho e o fato de ele ser tomado por esse ódio tão doentio reflete o quanto humanos, Imaculados ou não, podem perder o controle frente à sentimentos tão ruins.

É isso o que acontece com Daenerys e fica claro na atuação de Clarke. Assim como Cersei um dia disse que “escolhia a violência”, Daenerys escolheu Fogo e Sangue. Quando isso acontece, Jon e Tyrion ficam apavorados. A jornada do Lannister no episódio, aliás, é digna de nota. Há muito tempo o personagem não tem o destaque de antes e toma decisões questionáveis. Tyrion escolheu apoiar uma rainha que poderia ser alguém melhor para o reino, mas ele percebe que cometeu um erro e agora é refém dele: se concordar com Dany, muitos podem morrer, se discordar dela, ele mesmo morre. Não há escapatória fácil para Tyrion e ele sofre ao perceber o quanto seu erro pode custar. Já a atuação de Peter Dinklage se destaca em sua cena com Nikolaj Coster-Waldau, que interpreta Jaime Lannister. A impressão que fica é que os dois sabiam que aquela era a despedida final e o discurso de Tyrion sobre o companheirismo do irmão na infância trouxe de volta uma atuação de Dinklage que estava dando saudades.

O penúltimo episódio de Game of Thrones foi grandioso em termos de destruição, mas há muitos pontos que incomodam. O primeiro deles são os efeitos visuais do voo de Drogon por Porto Real. Quando o dragão aparece pelas primeiras vezes, as cenas são rápidas para enfatizar o plano de Daenerys e por isso o animal fica quase imperceptível. Mas quando as cenas focam realmente nele, há a impressão de que os efeitos estão bem piores do que, por exemplo, no ataque de Daenerys ao exército Lannister na sétima temporada. Até a movimentação de Drogon soa falsa, de um modo difícil de justificar.

Além disso, alguns “fan services” são executados estranhamente, como o Clegane Bowl entre os irmãos Sandor e Gregor, que toma um grande tempo de tela e termina sem um grande clímax. A presença de Arya em Porto Real, ainda que renda boas cenas mostrando a destruição entre o povo, fica jogada. A personagem vai até lá apenas para mudar de ideia e ficar perdida no meio do caos. Isso sem contar o desfecho de Euron, em um combate tão sem sentido que não vale nem comentar. Já a morte de Cersei ao lado de Jaime é controversa. Por um lado faz todo o sentido a partida dos irmãos juntos, mas parte do público esperava um desfecho mais grandioso para a personagem, sendo morta por Arya ou Daenerys, por exemplo. É curioso como uma das maiores personagens da série morre simplesmente soterrada como tantos outros em Porto Real.

Game of Thrones caminha para um final melancólico por vários motivos. A prévia do próximo episódio indica que Daenerys não se importa em ser a “rainha das cinzas” e agora resta saber como Jon, Tyrion e aqueles que não concordam com o que aconteceu vão se comportar. Mas a melancolia vai além das mortes de inocentes em Porto Real e do fim maçante de alguns personagens. A maior série de todos os tempos, que moveu fãs de todos os tipos para acompanhar sua transmissão aos domingos, se atrapalhou ao tentar entregar um final digno ao seu público. Há grandiosidade, há fogo e sangue, o que falta é aquele bom e velho roteiro bem escrito e desenvolvido, que foi o que colocou Game of Thrones no patamar em que está hoje. Resta agora aguardar o final.

HBO exibe o capítulo final da série em 19 de maio – confira a nossa cobertura completa.

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