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CPI DAS OBRAS DA COPA

Blairo Maggi é convidado a dar esclarecimentos sobre escolha de Cuiabá como sede

Agência Senado

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Obras da Copa aprovou na sessão desta quarta-feira (30), o convite ao senador Blairo Maggi (PR) para prestar depoimento sobre o processo de escolha de Cuiabá como cidade-sede, em que à época dos fatos era governador do Estado.

Hoje também foram colhidos os depoimentos do ex-secretário adjunto de Obras Públicas Jean Nunes e do ex-secretário municipal de esportes e ex-secretário extraordinário sobre assuntos da Copa do município de Cuiabá, Pedro Sinohara.

Depoimentos

Em seu depoimento, Pedro Sinohara destacou que atuou no processo embrionário para escolha da cidade-sede, enquanto secretário municipal de Esportes, e que participou da elaboração de um documento para apresentar à Federação Mato-grossense de Futebol (FMF) em que demonstrava interesse de Cuiabá em ser sede, que foi encaminhado a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Em janeiro de 2009, Sinohara entregou o cargo à frente da pasta de Esportes e em outubro do mesmo ano, assumiu o comando da Secretaria Extraordinária para Assuntos da Copa e Turismo no município de Cuiabá.

Em 2010 entregou o cargo que se tornou uma diretoria da Copa e outra do Turismo, ligadas diretamente ao gabinete do prefeito.

Conforme Sinohara, a Prefeitura de Cuiabá entregou a responsabilidade na execução

das obras da Copa em sua totalidade ao governo do Estado, porém, não soube informar se houve um acordo ou pedido para repassar esta responsabilidade.

“A Agecopa foi criada para isso e o governo era quem administrava a condução da vinda da Copa. Não acredito que houve favorecimento para o município abrir mão desta prerrogativa, e sim pela preocupação que o Estado teria mais capacidade para gerir estas obras”, disse.

A função da Secretaria Extraordinária da Copa no município auxiliava ações da Agecopa com fornecimento de documentos, questões de infraestrutura e meio ambiente.

“Porém, o interlocutor entre município e Agecopa era o Agripino Bonilha Filho, que foi um dos diretores da Agecopa”, destacou.

Na sessão desta quarta, também foi colhido o depoimento do ex-adjunto de Obras Públicas Jean Nunes, que destacou os pontos abordados no Caderno de Encargos apresentado à FIFA.

Documentos foram apresentados à CBF para concorrer à pré-qualificação, com isso ocorreu a pré-seleção de Cuiabá enquanto cidade-sede, em que apresentou projeto, de fato, na cidade do Rio de Janeiro, com as demais candidaturas.

 “O então governador Blairo Maggi destacou decisões totalmente técnicas, e elaboramos um anteprojeto com bases reais, mostrando o que podia ser feito, sem grandes sonhos ou devaneios”, discorreu.

Sobre o Caderno de Encargos, Jean Nunes explicou que constavam os seguintes pontos; Estádio em que precisava comprovar a existência de um estádio com capacidade para 43 mil torcedores, e o Estado demonstrou que com uma adequação seria possível atender às especificações exigidas pela FIFA; Mobilidade Urbana em que destacaram os corredores para estimar o tempo de deslocamento entre o estádio, aeroporto, rede hoteleira, e como podia ser melhorado; no item Modal de Transporte também apresentaram os corredores tendo em vista não haver definição quanto a isso; Centros Oficiais de Treinamento (COT) em que apontavam possíveis locais para a construção; Infraestrutura Turística que limitou a mostrar o potencial hoteleiro e as unidades hospitalares; Aeroporto em que apresentaram dados técnicos sobre pista, vôos, etc.

O ex-adjunto detalhou que sua contribuição para o processo de escolha da sede se limitou à elaboração do Caderno de Encargos, e que voltou a atuar apenas na homologação da licitação para a construção da Arena Pantanal.

“Posso garantir que a comissão de licitação atuou com total lisura ao processo, não havendo qualquer interferência de empresas ou agentes políticos, tanto que conseguimos desconto de 23% que caiu de R$ 423 milhões para R$357 mi. O projeto básico da licitação foi feito pela GCP, e o recebemos da Sedtur”, disse.

Segundo Jean, as medições da Arena Pantanal eram realizadas pela própria Agecopa que repassava para a Sinfra liberar o pagamento.

Para o presidente da CPI, deputado estadual Oscar Bezerra (PSB), o contexto histórico da Copa do Mundo irá consolidar a investigação.

“Se houve direcionamento ou não, isto irá aparecer a partir deste contexto histórico. Estes depoimentos tem sido produtivos, mesmo que pareça moroso. O resultado virá assim que entrarmos na licitação, pois seguimos o Sumário de Sistematização do Processo de Investigação que é uma linha do tempo”, observou.

Convocações

Fora o convite ao senador Blairo Maggi, os membros da CPI aprovaram a convocação de Marcelo Rosemberg, engenheiro do Castro Mello Arquitetos Ltda., que participou da elaboração do projeto básico de arquitetura do Estádio José Fragelli (Verdão) apresentado à FIFA como o estádio que sediaria os jogos;

Luiza Gomide de Faria Vianna, que à época dos fatos ocupava o cargo de Diretora de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, denunciada por ter adulterado o processo que tinha por objeto a proposta do governo para alteração do modal de transporte de BRT para VLT;

Higor de Oliveira Guerra, à época, analista de infraestrutura do Ministério das Cidades, responsável pela elaboração de nota técnica desfavorável a alteração de BRT para VLT.

Ivo Carlos Zecchini, então Superintendente Regional da Caixa Econômica Federal (CEF), responsável por firmar contrato de financiamento e repasse para custeio das obras do BRT.

Foto: Agência Senado/Divulgação

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