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ASSASSINADO A FACADAS

Polícia investiga se morte de haitiano estaria ligado a crime de ódio

A Polícia Civil de Santa Catarina investiga se o haitiano Fetiere Sterlin, de 33 anos, foi assassinado a facadas por crime de ódio, no último domingo (18), em Navegantes, interior do estado.

Ele foi morto a pauladas e facadas por um grupo de jovens em uma rua do bairro Nossa Senhora das Graças.

Os agressores levaram o telefone da vítima, sendo registrado o caso como latrocínio, mas a polícia suspeita que o crime tenha sido motivado por intolerância e preconceito.

Fetiere era isolador naval, e segundo a mulher, Vanessa Nery, de 27 anos, o marido, outro casal e mais um amigo haitiano saíram de uma festa quando dois jovens passaram de bicicleta xingando Sterlin com um palavrão em francês crioulo (um dos idiomas oficias do Haiti), que já é de uso comum no bairro.

“Eles passaram xingando meu marido, que xingou de volta. Aqui é bem comum eles passarem xingando de ‘macici’ [algo como “viado”], falando para eles voltarem para casa, mas nunca termina em agressão”, afirmou.

Ela disse ainda que, antes de ir embora, o rapaz teria dito “eu vou voltar e te dar um monte de tiro”. Outra testemunha afirmou que os homens diziam que “haitiano não tem nada para fazer aqui”.

Após cinco minutos, os mesmos jovens voltaram ao lugar com armas brancas e outros oito homens, e atacaram o grupo.

“Voltaram com faca, barra de ferro, pá e voltaram para agredir a gente. Não houve uma discussão. Veio um em cima de cada um de nós quatro, e os outros foram todos para cima do meu marido, e começaram a esfaqueá-lo”. Segundo ela, a maioria aparentava ser adolescente, “entre 16 e 17 anos no máximo”.

Segundo o diretor da Associação de Haitianos de Navegantes, João Edson Fagundes, essa não foi a primeira agressão a haitianos na cidade.

“Ele foi o primeiro haitiano assassinado aqui na região [do Vale do Itajaí], mas no ano passado, outro rapaz levou cinco tiros e sobreviveu, mas logo saiu do Brasil”, relatou. Ele suspeita que tenha sido um caso de xenofobia.

O caso foi registrado na mesma noite por um delegado que estava de plantão, e as investigações devem começar nesta segunda.

Sterlin e Vanessa se conheceram há dois anos em Navegantes.

Ele estava no Brasil há quatro e havia morado no Pará e em São Paulo anteriormente.

A família de Sterlin mora nos Estados Unidos atualmente, e o corpo será sepultado em Navegantes. (Com UOL)

Foto: Arquivo Pessoal

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