https://matogrossomais.com.br/wp-content/uploads/2015/10/08d25461f6ef3d2db80c8a7df1c8ce36.jpg

Bate-boca

O bate-boca está longe de ser discussão. Nunca foi, nem será. Mesmo que os políticos insistam em utilizá-la em plenário ou fora dele, valendo-se dos veículos de comunicação, e ainda que exista quem goste de tal espetáculo.

E isto tem levado a mídia a dar toda a cobertura a respeito. Aliás, foi exatamente o que se viu no episódio de ataques mútuos entre a presidente Dilma Rousseff e o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha.

Ataques desnecessários, mas com um propósito bem definido por parte de cada um deles, cuja estratégia é se tornar ‘livres’ das denúncias contra o governo e que pesam sobre as costas do deputado, bem mais a partir da descoberta de suas contas na Suíça.

Ao se referir a essas contas, a presidente Dilma disse se lamentar ‘que seja de um brasileiro’. Cutucando, desse modo, o deputado Eduardo Cunha. Este, por sua vez, contra-atacou, ao se lamentar ‘que seja com um governo brasileiro o maior escândalo de corrupção do mundo’.

Cenas de um quadro circense (com todo respeito aos verdadeiros artistas de circo). Tipo de um espetáculo que não traz nenhum ganho à sociedade, nem ao Estado, tampouco para as presidências da Câmara e do Executivo federal.

Mas elas, as ditas cenas, por outro lado, são reveladoras. Revelam o desconhecimento das competências dos cargos que ocupam. Pois não é tarefa, por exemplo, da presidente do país atacar ou se valer do sarcasmo para agredir o presidente da Câmara Federal.

E, pelo que se sabe, cabe a este ser o ponto de equilíbrio dentro da Casa Legislativa. Bem mais em um cenário de crise político.

A despeito disso, contudo, agressões de um contra o outro, e deste contra aquele, são registradas. Isto para desviar a atenção da mídia, e, por tabela, da própria população. Descartando assim o refutar das denúncias por meio de documentos e de fatos, até pela falta destes.

Daí a mentira como defesa. E, talvez por isso, ela foi tida como tradicionalmente considerada justificável, dependendo das circunstâncias, no dizer de Hannah Arendt.

Aliás, Maquiavel, em seu mais famoso livro, recomendou ao príncipe recorrer à força do leão e a astúcia da raposa. Astúcia percebida ainda hoje no cotidiano do campo político do Brasil. O que dificulta o tornar público das ações dos agentes políticos e públicos, agredindo o direito do brasileiro à informação.

Isto fica claro no uso da maquiagem na prestação de contas do governo, e o uso da agressão com palavras para desqualificar o interlocutor ou quem venha a fazer denúncias.

Aliás, em setembro de 1948, o jornal ‘Diretrizes’, do Rio de Janeiro, publicou uma série de denúncias contra a Secretaria de Educação de Mato Grosso.

O governador da época, não teve dúvidas: exigiu de seu secretário resposta para cada uma das denúncias, acompanhado de um relatório do desempenho da pasta.

Esta atitude, louvável e que bem poderia ser copiada, realça a importância da transparência nos negócios públicos e nas ações dos agentes políticos. É isto.
LOUREMBERGUE ALVES é professor universitário e analista político em Cuiabá.

Veja Mais

Deixe seu Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *