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Luma

Tenho uma propriedade rural no município de Acorizal, há cerca de 50 km de Cuiabá. No fim de 2013 ganhamos um filhote de cadela da raça Dálmata.

Ela cresceu por lá e tornou-se uma referência de alegria, ao lado de outra cadela vira-latas, Pretinha, e de um pit-bull idoso, chamado Hammer.

A Luma é uma festa. No começo deste ano ela entrou no seu segundo cio. No primeiro não engravidou.

Gonçalo, nosso empregado recém-chegado, aplicou nela injeção de anti-concepcional, mas não sabíamos que estava grávida. Teve um abordo sofrido. Nós a socorremos com medicamentos e atenção.

Daí por diante ela se aproximou muito de nós. Quando chegamos lá ela se junta o tempo inteiro e fica sempre perto, muito alegre e brincalhona. Veio o novo cio e nova gravidez. Ficou com uma barriga enorme e cansada.

Engordou bastante e comia como uma desesperada. Pedi ao Gonçalo atenção pra ela e me avisasse se precisasse de alguma ajuda.

Neste sábado, chegamos lá e logo ela veio correndo, como sempre. Deixou rastros de sangue na varanda. Concluímos que estamos em trabalho de parto. Sumiu em seguida.

Veio mesmo só dar um oi. Gonçalo a seguiu e encontrou numa moita de capim escondida com quatro filhotes. Logo em seguida ele voltou e eram sete.

Recolhemos pra dentro do galpão e ele fez um quadrado de madeira pra ela e pros filhotes. Todos brancos com algumas manchas parecidas com as dela. Cinco machos e duas fêmeas.

Este artigo veio pra contar as transformações impressionantes de Luma como mãe. Não sai do lado dos cachorrinhos, não deixa ninguém desconhecido se aproximar. É comovente o carinho dela, como uma mãe de primeira viagem.

Ficou mais séria, sem aquelas correrias e pulos. Não sai de perto dos filhotes de jeito nenhum. Eles aprenderam a mamar no mesmo dia à tarde. Uns mais espertos, outros que reclamam, uns que dormem mais e os que andam o tempo todo pra lá e pra cá.

Impressionou-me profundamente o seu jeito amoroso e paciente, como se fosse uma mãe experiente.

Tivemos em casa por 16 anos um cachorro cruzado de poodle com vira-latas, o Napoleão, que quando morreu foi uma pessoa da família que nos deixou. Agora estou apaixonado pela maturidade da Luma. É como se ela tivesse aprendido antes a ser mãe.

O instinto poderoso ensina a nós humanos esse amor incondicional como um dom natural.

O seu olhar doce ficou mais doce e ela dominou completamente as nossas atenções com os seus sete filhotes. Seu ninho virou nosso ponto obrigatório de visita várias vezes por dia.

A nossa admiração, Luma!

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso.

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