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Ferrogrão e Transoceânica

Alfredo da Mota Menezes é historiador e analista político em Cuiabá Alfredo da Mota Menezes é historiador e analista político em Cuiabá

Alfredo da Mota Menezes é historiador e analista político em Cuiabá

Deve aparecer em breve um estudo de viabilidade econômica, técnica e ambiental para uma ferrovia entre Sinop e Miritituba no Pará. É a chamada Ferrovia do Grão ou Ferrogrão.

Quem participa do estudo são as grandes do comércio de grãos do mundo ou as “cinco irmãs”: Bunge, Cargil, Dreyfus, Amaggi, a ADM incorporou por último ao grupo. A ferrovia pode custar dez bilhões de reais.

O grupo vai levar o estudo ao governo federal para tentar uma parceria público privada para viabilizar a ferrovia. Se não houver interesse, o grupo sinaliza que buscaria apoio financeiro no exterior.

Ao mesmo tempo está sendo gestada a ferrovia Transoceânica ou aquela dos chineses que iria do litoral brasileiro, passando por Lucas, até Ilo no Peru, já no Pacífico.

Fala-se que os chineses estão fazendo os estudos necessários para apresentar ao Brasil e ao Peru no primeiro semestre do ano que vem.

Mato Grosso não tem cargas para duas ferrovias deste porte.

Uma tiraria carga da outra. Será que uma ferrovia não inviabilizaria a outra? Este assunto vai pedir a atenção das pessoas deste estado. E já começam os falatórios.

Alguém com interesse na Ferrogrão têm falado que autoridade chinesa no Brasil disse que a Transoceânica não sai.

Que aquilo tudo que aconteceu fora pressão dos governos do Brasil e do Peru. Será que é conversa para melar este interesse em favor do outro?

Poucos dias atrás, um grupo de parlamentares de MT, AC e RO foi à Embaixada da China e o embaixador falou que está de pé o projeto da ferrovia. Alguém está faltando com a verdade no assunto, portanto.

Vamos supor que este assunto fosse para um plebiscito no estado. Eu votaria na ferrovia dos chineses. Tento explicar.

As tradings de grãos com a Ferrogrão faria o estado continuar preso ao Atlântico. De Miritituba se vai ao Canal do Panamá e lá na frente está, como sempre esteve, Tio Sam.

Vão nos amarrar no poste norte americano de maneira mais forte ainda.

Com exceção da Amaggi, as sedes das outras estão nos EUA.

Mais? A ferrogrão transportaria somente grãos. Ou alguém imagina que vamos industrializar soja para vender nos EUA?

A ferrovia para o Pacífico abriria não somente a China aos produtos do Estado e da América do Sul, abriria o mercado que mais cresce no mundo hoje: o asiático. E lá sim precisa de muita comida in natura e também a industrializada daqui.

Ah, mas os chineses vão invadir a América do Sul. Seria interessante esta “invasão” numa área que é considerada de influência e domínio norte americano desde o fim do século 19.

Por que não abrir aqui para a competição das duas maiores economias do mundo, China e EUA?

Se a região souber jogar o jogo, vai ganhar também.

ALFREDO DA MOTA MENEZES é historiador e analista político em Cuiabá.

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