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CPI DAS OBRAS DA COPA

“Melhor opção é vender vagões do VLT para implantar BRT”, afirma diretor de consultoria

Gcom

Em depoimento à CPI das Obras da Copa, os sócios-diretores da empresa Oficina Engenharia que realizou estudos de mobilidade urbana para Cuiabá foram enfáticos em destacar que a melhor opção seria vender os vagões do VLT e trabalhar pela implantação do BRT, pois ressaltaram que é preciso concluir 70% das obras do modal escolhido. Arlindo Fernandes e Antônio Luiz Mourão Santana prestaram depoimento nesta terça-feira (1).

Arlindo discorreu sobre os estudos desenvolvidos pela empresa para a mobilidade urbana em Cuiabá ,sendo o primeiro um plano de transporte de rede integrada solicitado pela Secretaria Municipal de Transporte Urbano (SMTU), com estudo de modelo de concessão do transporte coletivo de Cuiabá e Várzea Grande

Em 2010, contratado pela Acrimat pelo valor de cerca de R$800 mil para entregar o plano diretor de mobilidade urbana da Região Metropolitana de Cuiabá, com pesquisa de origem/destino realizada pela COP em 2005

A Oficina Engenharia também participou da solução para o Bus Rapid Transit (BRT), com estudo de rede integrada de ônibus, contratado pela Agecopa mas solicitado e intermediado pelo então diretor de Planejamento, Yenês Magalhães, pois na época em que elaborou o plano diretor em 1995, Yenês era secretário da SMTU

Último estudo foi encomendado pela Secopa, sendo um comparativo entre os dois modais, BRT e VLT, estudo com custo econômico de cada modal, definições de demandas, rede integrada e revisão da rede de ônibus.

 Com relação ao estudo que apresentou como solução de transporte o BRT, Arlindo destaca que o estudo considerou a opção que já havia sido feita pelo governo. “No primeiro estudo que realizamos em Cuiabá, já indicávamos um corredor exclusivo para ônibus, então existia essa intenção no plano de transporte de 1995”, disse.

Conforme Arlindo, não estava previsto no escopo do projeto contratado, que a Oficina Engenharia deveria escolher as alternativas, pois já havia definição através do Caderno de Encargos firmado junto à FIFA.

“A Secopa pediu um estudo rápido de comparação entre BRT e VLT, o que não é um estudo de alternativas para escolha, se fosse seria outro modelo de estudo. Nesta ocasião, havia manifestações no sentido de se aplicar o VLT em Cuiabá, sendo que este estudo foi solicitado pelo Yenês. Então fizemos a comparação entre os dois modais, mas não havia projeto do VLT para Cuiabá, e sim a implantação possível do BRT. Neste estudo comparativo trouxemos o cálculo do que seria o investimento e custeio, que apontamos valor 2x maior que o do BRT”, explicou.

Para Arlindo, a rede integrada é a mesma, só muda o modal escolhido, mas que não basta apenas a obra, sendo preciso haver a arquitetura do sistema que é necessário neste projeto específico para o sistema.

“O que importa é ter a rede de integração, sem ela, não tem solução estruturante para o transporte coletivo. O que nos foi solicitado pelo Yenês era uma comparação do que era óbvio sobre os valores, mas a decisão não cabia a nós, aparentemente óbvia, mas que carecia de maiores informações, mas não houve pressão para apresentar justificativa para o VLT, pelo contrário. Mas o estudo propôs a rede integrada do VLT com base na do BRT”, afirmou.

Arlindo também revelou que o estudo partiu do pressuposto que usuário não pagaria a tarifa. “Os custos operacionais sem qualquer investimento seria de R$3,80, que seria quanto o operador do sistema teria que receber, mas existe esta diferença entre a tarifa de remuneração e a tarifa do usuário, em que seria necessário o subsídio público para que fosse a mesma tarifa em um sistema único, com preço único”, ressaltou.

Na época em que o estudo foi realizado era apontado o custo operacional do VLT em cerca de R$7 milhões/mês, valor este que deve estar acrescido em 20% atualmente, adiantou Arlindo. “Não adianta implantar algo tecnológico enquanto não existe esta rede integrada, com uma qualidade integral em todo o sistema, como as vias dos ônibus nos bairros”, explicou.

Em sua opinião profissional e técnica, Arlindo apontou que a melhor opção para Mato Grosso seria vender os vagões do VLT e implantar o BRT. “Não existe obra no eixo do Coxipó, por exemplo, nunca existiu conosco esta discussão de termos que escolher. O que posso dizer é que na Agecopa existia uma boa compreensão de que o BRT era mais viável o investimento”, observou.

Outro depoimento foi do também sócio-diretor da Oficina Engenharia, Antonio Luiz Mourão Santana, destacou que ainda falta muito para terminar a obra do VLT, mesmo com mais de R$1 bilhão já investido no modal.

“Ainda falta muito da obra, pelo que observei no caminho do aeroporto até aqui, e o material rodante já está comprometido, a pergunta é o que fazer com isso? O que o governo precisa avaliar é se possui esta capacidade para investimento de recursos, porque ainda falta 70% da obra para ser concluída e por outro lado, não tem como deixar a cidade com essa cicatriz do VLT, ou então usar este espaço para o BRT”, concluiu.

Na próxima sessão que acontece nesta quarta-feira (2), no auditório Milton Figueiredo às 14h, serão ouvidos o auditor do Estado e ex-secretário adjunto de Infraestrutura da Secopa, Alysson Sander de Souza e o ex-presidente da Comissão de Licitação da Secopa, Eduardo Rodrigues da Silva.

Foto: Assessoria

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