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Nova matriz econômica

O IBGE mostrou que, desde o segundo trimestre de 2014, a economia nacional está em queda. Uma recessão brutal, com diminuição acentuada do PIB, que se estenderá até o próximo ano.

O caminho para a debacle começou com a chamada nova matriz econômica, invenção desastrosa de Guido Mantega e Dilma Rousseff. Um pouco de história.

O Governo FHC criou um tripé macroeconômico para o país: meta de inflação, câmbio flutuante e superávit primário. A inflação variaria de 4.5% até o teto de 6.5%. O câmbio flutuaria de acordo com circunstâncias e momentos.

O superávit primário, estabelecido em 3.1% do PIB, seria a garantia de que o governo tinha recurso para pagar juros da divida. Gerava credibilidade no mercado.

O Governo Lula, por inspiração de Antônio Palloci, manteve o tripé macroeconômico criado no governo anterior. E também fez economia de 3.1% do PIB para enfrentar borrascas.

Em 2008, chegou a crise vinda dos EUA, na esteira da quebradeira do setor imobiliário. O governo Lula, acertadamente, incentivou o consumo para enfrentar o que ele chamou de marolinha.

Deu certo, tanto que o PIB cresceu 7.4% em 2010. Elegeu Dilma Rousseff com tranquilidade.

Dilma assume em 2011, deveria voltar ao que dera certo em dois governos ou quase 16 anos. Aqui entrou a sabedoria às avessas, Guido Mantega inventa a tal nova matriz econômica.

A invenção tupiniquim aceitava afrouxamento na inflação, até mesmo romper o teto da meta. Passa a controlar um pouco mais o câmbio e fura de uma vez o tal superávit primário.

Nunca o governo Dilma conseguiu economizar 3.1% do PIB. Foi baixando até chegar a 0,15% do PIB. Nem isso conseguiu manter.

O Congresso, nesta semana, alterou para, acreditem, menos 2% do PIB ou um déficit de mais de 119 bilhões de reais.

O modelo econômico inventado forçou que o Banco do Brasil e Caixa aumentassem o crédito para o consumo.

O governo tomava dinheiro no mercado por um preço e o emprestava com juros subsidiados. Tirou ainda IPI da linha branca e carros. O governo incentivou o consumo desbragado.

Mais gente indo às compras pressiona a inflação para cima. Com a economia descarrilando o dólar também ajudou a aumentar a inflação. Para tentar controlá-la o governo subiu os juros. Juros maiores inibe o investimento.

Na luta com a inflação, o Governo também comprimiu os preços de combustível, transporte público e energia.

Terminada a eleição, teve que descomprimir os preços. Mais inflação, juros maiores, o consumo desabou. O governo foi perdendo a credibilidade do mercado, pararam de investir.

Sem investimento, aumenta o desemprego. Para piorar aumenta-se a crise politica com o pedido de impeachment.

Tudo culpa do governo, nada a ver com crise do exterior. Jogou o país numa brutal recessão por três anos para ganhar uma eleição? Cria-se uma nova classe média, agora a joga de volta de onde veio?

Uma insensatez essa nova matriz econômica.

ALFREDO DA MOTA MENEZES é historiador e analista político em Cuiabá.

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