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Outras obras públicas

Alfredo da Mota Menezes é historiador e analista político em Cuiabá Alfredo da Mota Menezes é historiador e analista político em Cuiabá

Alfredo da Mota Menezes é historiador e analista político em Cuiabá

Em Mato Grosso se tem uma tradição de achar que uma administração pública, seja em que nível for, é boa ou ruim pela quantidade de obras realizadas. Obras físicas mesmo, como estradas ou asfaltos em cidades.

Até se entende isso, MT era e ainda é tão carente em infraestrutura que se pensa que desenvolvimento vem somente com mais obras públicas. Ou, usando um pouco de maldade, quanto mais obras públicas mais se mete a mão no dinheiro do contribuinte.

Não é comum ouvir falas, principalmente na classe política, sobre outras ‘obras’, talvez até mais importantes, como avanço na educação, melhoria no atendimento de saúde ou dos índices na segurança. O bonito é falar em obras públicas.

Fazer obras públicas é importante, sem dúvida. Mas se alguém numa administração conseguir melhorar índices na educação, saúde e segurança pode ter dividendos políticos tanto quanto como realizar obras físicas.

Se um governo municipal ou estadual mostrasse que, de um ano para o outro, conseguiu diminuir os índices de violências ou conseguiu pontuações positivas em testes educacionais ou no atendimento da saúde poderia ganhar pontos junto à opinião pública.

Fiquemos na educação um pouco mais. Volta-se a uma história já comentada nesta coluna. Por que MT não cria metas para as escolas estaduais? A unidade escolar teria que atingir no primeiro ano tais metas. No segundo ano outro tanto.

O mesmo se poderia dizer para uma administração municipal. Falou-se até que, com ajuda da Unesco, Cuiabá havia criado um modelo de metas especifico. Por que não se fala mais no assunto? A ênfase continua em obras públicas?

Esses resultados poderiam ajudar na melhora da educação e ainda mostrar ao dirigente onde estão os problemas e como solucioná-los.

Será que o TCE não poderia ajudar nisso criando um tipo de punição ao dirigente que seguidamente não atinge a meta? Só cobrar a aplicação do percentual de educação e saúde sem exigir meta e qualidade não parece o caminho correto.

Esse passo poderia ser o embrião para se criar a meritocracia no ensino. As escolas que atingissem as metas receberiam um dinheiro a mais por ano. As escolas que não atingissem as metas, técnicos da secretaria de educação estadual ou municipal iriam ajudá-las.

Será que no orçamento específico para a educação não daria para tirar esse salário extra? No caso do estado, não se aprovou na Assembleia Legislativa um aumento gradual de repasse para a educação? Esse aumento não poderia ajudar naquele pagamento extra?

Aquele dirigente que criar o sistema de meritocracia e apresentar resultados concretos na educação (ou na saúde) poderia até não realizar tantas obras físicas, mas teria lugar de destaque na opinião pública. Quem sair na frente com esses métodos se daria bem na eleição.

Administrar não é somente construir estradas ou asfaltar cidades.

ALFREDO DA MOTA MENEZES é historiador e analista político em Cuiabá.

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