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Dois brasis

Alfredo da Mota Menezes é historiador e analista político em Cuiabá Alfredo da Mota Menezes é historiador e analista político em Cuiabá

Alfredo da Mota Menezes é historiador e analista político em Cuiabá

Os filhos daqueles que podem pagar a Educação desde a pré-escola levam vantagem enorme sobre os que não podem arcar com isso.

Esse fato talvez esteja na base da existência de dois brasis. Levantamento feito pelo Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul mostrou que somente duas capitais, Vitória e Florianópolis, tinham mais de 50% de suas crianças,entre zero e cinco anos de idade, atendidas em creches e pré-escolas.

No Brasil de anos atrás, a maior parte das mães ficava em casa e tomava conta dos filhos.

Hoje, com mais competição, as mães precisam trabalhar e estudar e não tem onde deixarem seus filhos.

O poder público, que deveria preencher esse espaço, anda a passos de tartaruga.

Voltemos aos dois brasis com um exemplo. Uma família tem algum recurso e coloca seu filho ou filha, desde um ano e meio de idade, em escola especial. Ali essa criança interage, aprende e se sociabiliza.

Na mesma família do exemplo, aquela criança aos três anos vai para a pré-escola, chamada porta de entrada do aprendizado. Aos seis anos irá para uma escola particular para o primeiro ano do primeiro grau.

Uma família pobre não tem como colocar filho ou filha numa escola maternal ou anterior à pré-escola. Não tem recurso para matricular seu filho numa pré-escola.

Essa criança irá enfrentar a escola pública sem nenhum aprendizado anterior.

As escolas particulares de primeiro e segundo graus são melhores que as públicas.

Aliás, o último Enem mostrou que nove entre dez escolas particulares tiveram notas melhores que as escolas públicas.

A criança que não teve pré-escola, sendo cria da escola pública, na hora de entrar numa universidade quase sempre vai perder para aquele estudante que teve pré-escola e estudou em escola particular.

O estudante com mais dinheiro vai entrar numa universidade pública que tem melhor ensino e o pobre, com financiamento público para depois pagar, vai para universidades particulares, onde o ensino é mais precário.

Na hora de enfrentar o mercado de trabalho, com raras exceções, os egressos das universidades públicas levam vantagem sobre os que vieram das universidades particulares.

O fosso começou lá atrás na ausência de creches e pré-escolas para os mais pobres. Mais doído seria constatar que as pré-escolas públicas existentes fossem piores que as particulares. O fosso continuaria.

Mas a culpa é nossa, não cobramos de governos uma atenção maior para esse fosso entre gentes de um mesmo país.

Não seria interessante que, no segundo turno da eleição entre Dilma Rousseff e Aécio Neves, tivesse um debate exclusivo sobre seus planos para a Educação? O mais factível mereceria o voto do eleitor.

Alguém já viu em alguma campanha eleitoral uma discussão mais aprofundada sobre um assunto desses?

Gostamos mais de assistir acusações e espertezas dos marqueteiros do que uma discussão daquele tamanho.

O assunto não dá voto, chutes nas canelas dão votos.

P.S.: Boas Festas a todos. Esta coluna retorna em meados de janeiro.

ALFREDO DA MOTA MENEZES é historiador e analista político em Cuiabá.

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