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Natal e natais

Já vivi muitos natais pra saber que é só uma data que se convencionou pra festejar o nascimento de Jesus Cristo.

Desde a adolescência, interessei-me pela figura de Jesus, político, líder social, líder espiritual. Nunca existiu um rapaz bonzinho, de longa cabeleira, de pacatos olhos azuis apascentando criancinhas.

Ele foi o produto de uma época politicamente muito conturbada na Israel antiga. Veio para preparar e liderar a passagem do Império Romano para de novo a Israel sonhada por Moisés, séculos antes.

Trouxe parâmetros novos pra aquele mundo antigo, atrasado e cruel que se inspirava num Deus antigo vingativo. Seu parâmetro era o amor, conceituado: “Ame a Deus e ao próximo como a ti mesmo”.

Modificava ali o espírito do Velho Testamento, baseado no medo e na construção de impérios religiosos. O amor prega o amor. Cultuar o espírito do Velho Testamento como norma de vida atual, é negar o próprio Jesus.

Os dez antigos mandamentos eram um decálogo para um tempo antigo, mais primitivo. O Cristianismo baseou-se no amor, ainda que ele não tenha desejado criar religiões.

Estas foram arranjos seculares para consolidar poder. Ainda hoje. O Cristianismo era uma proposta de humanidade baseada no amor.

Meus natais da infância, lá no interior de Minas eram natais sob o império da fé católica da época. Missa, missa e missa. Sermões, sermões e sermões. Confissões, comunhões e a pressão para sentir dores que não eram da criança e nem do adolescente  tão crédulo.

A adolescência, em Brasília, não foi diferente. Mais árida, porque lá ainda não existia uma sociedade construída e estratificada.

Nessa altura da vida, já não me ligava mais nos sermões e nem no medo imposto pela fé. Hoje, tenho filhos, netos e bisnetos e não lhes ensinei o medo e nem o temor de Deus.

Ensinei-lhe o espírito de solidariedade e nem lhes ensinei que Natal é tempo de presentes obrigatórios e de fé de shopping Center baseada numa caricatura vestida de vermelho chamada de Papai Noel.

Meus natais são mais simples, menos tensos e muito mais natais talvez do que em qualquer outra época anterior. Ligo pouco pra presentes. Mas gosto de reunir-me com a família e com amigos. Estar entre eles é o Natal. Então, penso, o Natal não é uma data. É um estado de espírito.

Quando der e reuni-los é Natal, não importando que seja em junho, julho agosto ou novembro.

Feliz Natal aos leitores. Amanhã, depois, depois, depois e nos 365 dias do ano de 2016.

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso.

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