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Ei-lo: 2016!

Melancólicos, é como chegamos ao fim deste ano. Prometia ser um bom ano. Mas foi afogado por tantas razões. Muitas nossas e muitas fora de nós.

A política, a economia, a corrupção, a gestão pública, a gestão da política. Tudo isso contribuiu pro país chegar ao fim do ano navegando em águas tão turvas.

Porém, nada contribuiu tanto quanto a nossa inércia social. O que isso, perguntaria aflito o leitor? Inércia social é o silêncio conveniente de todo um país diante das suas necessidades e dos seus interesses.

Os estádios de futebol enchem, mas as manifestações de rua ficam vazias.

Os índices de audiência das telenovelas batem no teto, mas as idéias morrem junto com os dramas fictícios de personagens inventados pras telinhas.

As cervejarias nunca venderam tanta cerveja quanto se vende no Brasil.

O país vê a sua sociedade dividida em duas partes ideológicas, mas não fala nada diante dessa barbaridade dos “nós e eles”.

Em muitos países históricos, a cidadania nasceu a partir do sofrimento das guerras. Aqui, fora o massacre com o Paraguai, nunca teve guerra e nunca se precisou lutar pela vida.

No máximo, lutar contra inflação, saúde ruim, educação pobre, segurança péssima. As guerras tiram vidas, valores, destroem cidades, pontes, indústria, arrasam cidades. Mas criam princípios!

Nada é mais valioso numa nação do que os seus princípios. Mas não se constroem princípios enveredando por fugas como o futebol, as telenovelas e a cerveja, as três paixões nacionais.

Quais são os nossos princípios? Poucos e frouxos neste triste final de 2015.

O que nos espera em 2016? O desejo de uma cidadania que não deposite todas as esperanças nuns poucos corajosos da Operação Lava Jato que trocam fins de semanas anos após anos em busca de moralizar aquilo que nós mesmos desmoralizamos por ações e por omissões.

Uma sociedade que se enxergue como uma sociedade de pessoas que trabalham, paga impostos, sonha e sofre. Que 2016 nos ensine a ser cidadãos de um país tão promissor.

Que nossas instituições privadas e públicas sirvam à sociedade e que não mais se sirvam da sociedade para tirar vantagens.

Duvidar do nosso futuro é burrice. Seremos uma grande nação, não pelas instituições que nos representam, mas pela representação que construirmos pra nós mesmos.

Tem nos faltado intolerância contra as ações criminosas e omissões pelo nosso silêncio.

2016 pode nos redimir ou poderá nos condenar a vagar como zumbis peles estradas da História. Fugir das fugas que nos condenam. Fugir na direção da luz da cidadania.

Não tem outro caminho!

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso.

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