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Brasil e descobertas científicas

Numa aula que participava em curso de pós-graduação em América Latina numa universidade norte- americana, uma professora disse que os latino-americanos não descobriram ou inventaram nada que ajudou na evolução da humanidade.

É o pensamento no exterior sobre a região abaixo do Rio Grande. E parece que tem razão.

No feriadão, apenas para puxar conversa, coloquei o Brasil na roda da discussão.

A coisa pega fogo, no final o consenso é que fizemos pouco nos campos da pesquisa, descobertas e invenções científicas.

O Brasil, como exemplo, nunca teve um Prêmio Nobel.Uma vez a coluna tocou nisso e mandaram uma notícia de que o Brasil recebera um prêmio mundial de Paz pela sua atuação no caso do Canal de Suez.

Em invenções e descobertas sempre se mostra que o Brasil inventou o avião. Também acho, mas o exterior entronizou os irmãos Wright dos EUA como os caras que inventaram o avião.

Fala-se também que é invenção nossa a urna eletrônica, o escorredor de arroz, cartão telefônico, abreugrafia e identificador de chamada telefônica.

Na América Espanhola a coisa é praticamente a mesma. A diferença talvez é que alguns países ganharam Prêmio Nobel. Não foi ainda o caso do Brasil.

Por que essa inapetência regional para a pesquisa e descobertas científicas? Especulam-se alguns aspectos.

Espanha e Portugal, matrizes da região, não são até hoje, apesar de produzirem mais que aqui, grandes centros científicos.

As instituições de lá não ajudam nessa direção. Coloca-se também a Igreja Católica no assunto. Ou seja, a nossa cultura ibero-católica não daria incentivo à busca cientifica.

Cita-se ainda a monocultura e o latifúndio. Lugar que, com pequeno ou quase nenhum investimento, o dono tinha meios para mandar em léguas de terras e gentes.O tamanho da propriedade e a falta de estradas isolavam as pessoas.

De um lado, a religião pregando submissão aqui e prometendo o paraíso no futuro. No outro, o dono da terra. Pensar além de certo horizonte para quê?

Virou a região do sim senhor, patrão. Surgem os caudilhos, coronéis e salvadores da pátria. As pessoas mudaram para as cidades e continuam a acreditar em líderes populistas e carismáticos que resolvem tudo. Cárdenas, Perón, Vargas, Chaves, Lula são sempre citados.

Abundância de metais preciosos, como o petróleo hoje no mundo árabe, atrapalhou ainda mais o espírito empreendedor regional.

Nunca desapareceu também o compadrio e a familiocracia. Já se nascia destinado a ser alguém ou não. Há também uma ligação entre a coisa pública e o privado. Usufruem disso até hoje.

Não se incentivava a meritocracia. Ou que o melhor e mais competente vence sem necessitar apoio de cima. Uma empresa ganha a concorrência não por meritocracia, mas por ligações especiais. Seu produto será sempre de qualidade inferior.

O Brasil tem um povo com muitos méritos, alguns até para exportar para outros povos, mas na pesquisa cientifica inovadora, convenhamos, a coisa não anda.

ALFREDO DA MOTA MENEZES é historiador e analista político em Cuiabá.

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