https://matogrossomais.com.br/wp-content/uploads/2015/12/jejé.jpg

A CARA DE CUIABÁ

Símbolo do colunismo social em MT, Jejé de Oyá morre aos 90 anos de infarto

Morreu na manhã desta segunda-feira (11), em Cuiabá, José Jacinto de Siqueira, de 90 anos, vítima de um infarto.

Conhecido como “Jejé de Oya”, o colunista social chegou a ser encaminhado ao pronto-socorro, mas não resistiu.

“Jejé” estava com a saúde debilitada desde 2013, quando foi internado na clínica Geriátrica Casanova .

A situação dele não era boa, já que estava cego e não se levantava da cama.

Ainda no final de 2015, Jejé sofreu um infarto e ficou internado por quase uma semana.

Jejé nasceu em Rosário Oeste (125 km ao Norte da Capital), mas aos quatro anos de idade veio para a cidade grande, com uma família adotiva, já que sua mãe biológica, que sofria de problemas mentais, freqüentemente ameaçava sua vida.

Negro e assumidamente homossexual, Jejé enfrentou o preconceito e discriminação nas décadas de 50 e 60, na capital do Estado.

Tornou-se alfaiate e, depois, virou carnavalesco. Além de ser servidor público federal aposentado.

No entanto, foi na imprensa que deixou sua marca como colunista social, falando sobre festas, costumes e tradições do povo da região.

Jejé, desde cedo, se destacou por desafiar os padrões estabelecidos pela sociedade da época.

Suas peculiaridades e a acidez nos textos que publicavam nas colunas sociais de jornais da região, como o Diário de Cuiabá,fizeram com que seu nome ficasse marcado entre as famílias da alta sociedade, assim como entre as mais populares.

Virou uma figura folclórica ao percorrer as ruas da cidade com suas batas multicoloridas, chapéus, colares e pulseiras.

No final da década de 90, o colunista chegou a ser reconhecido como a “personalidade com a cara de Cuiabá”, em uma pesquisa realizada pelo Diário.

Após anos de pura atividade no serviço público – era servidor da Receita Federal –, colunismo social e carnaval cuiabano, Jejé conta agora com a ajuda de amigos para continuar sendo bem tratado na clinica geriátrica, em Cuiabá.

O empresário Willian Gama e sua mãe, Ivanilde Gama, são os representantes legais de Jejé e as principais pessoas que continuam ao lado do colunista social, nos últimos anos de sua vida.

Por ser amigo da família, Willian afirma que decidiu cuidar de Jejé, por conta da saúde debilitada e pela inexistência de familiares vivos, que fizeram com que o colunista ficasse totalmente sozinho.

“Colocamos Jejé nesta clinica geriátrica para que ele fosse bem tratado e cuidasse da saúde. Desde 2012, ele está neste local. O trouxemos quando estava com os dias de vida contados. Hoje, Jejé está mais forte. O que espero é que as pessoas que fizeram parte da história dele lembrem e o ajudem, também”, declarou Willian.

Mesmo já não estando mais freqüentando as tradicionais festas cuiabanas, nem escrevendo suas colunas sociais nos jornais impressos da capital mato-grossense, Jejé será sempre lembrado pelo jeito peculiar de se comportar. Com Midianews

Veja Mais

Deixe seu Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *