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O ódio está no ar

Assisti, no meio do ano passado, um debate no programa “Painel”, na Globonews.

O tema era política, e os debatedores foram unânimes que no Brasil se estabeleceu uma dualidade muito ruim que eliminou a possibilidade do debate.

Qualquer um que ouse criticar é imediatamente taxado pelo sistema governante como conservador, pai do retrocesso e alguns apelidos que, lado a lado, vão de “coxinha” a “petralha”.

O debate pressupõe opiniões contrárias, a velha dialética onde a tese é contestada pela antítese e resultam na síntese. Esta, por sua vez, pode ser tese ou antítese pra outra discussão, indefinidamente.

Ontem pela manhã, a mesma Globonews mostrou o mapa do Brasil que será atendido preferencialmente pelo Fies – Fundo de Financiamento Estudantil.

É o mesmo mapa que resultou das eleições presidenciais de 2014: o Norte e o Nordeste em vermelho, indicando que o Fies será aplicado ali como programa social, tipo o Bolsa Família.

Isso significa que mesmo dentro da terrível crise atual, o governo continua direcionando recursos públicos para fins eleitorais e ideológicos do Partido dos Trabalhadores.

Nas demais regiões, é claro que o ódio será crescente, porque em 2014 houve um grande estímulo do governo que estudantes se matriculassem porque haveria dinheiro infinito pro Fies.

Em 2014, as empresas de transporte também foram estimuladas a renovarem frotas junto ao BNDES, mesmo o governo sabendo que 2015 seria de recessão.

Resultado, os autônomos pararam seus caminhões e não pagam as prestações.

Os frotistas estão na maioria em processo de recuperação judicial. E o discurso do governo continua o de inocente diante da crise.

Ontem, em São Paulo, as manifestações de rua contra aumento das passagens de ônibus urbanos virou guerrilha, com mascarados patrocinados pelo mesmo governo, depredaram patrimônio público e privado numa guerra de ódio.

Os debates no Congresso Nacional, de onde deveria vir o exemplo, são de baixíssimo nível e também não escondem o ódio entre os parlamentares.

Ali o debate, mesmo acirrado, seria normal e desejável.

O ódio está sendo vendido pelo governo na forma mais banal: “nós e “eles” em todos os níveis da sociedade, aí incluindo o Supremo Tribunal Federal, onde bate-bocas de baixíssima qualidade percorre a boca das 11 excelências-ministro da corte.

Porém, não para aí. Sabe-se que ao longo do ano será perfeitamente possível o confronto armado nas ruas entre militantes dos movimentos sociais e civis.

Aqueles defendo o poder, e estes, a vida da nação. Puro amor e ódio, coisa que, de fato, nunca foi brasileira. Até agora.

O ódio está no ar!

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso.

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