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Carretera para a Bolívia

Alfredo da Mota Menezes é historiador e analista político em Cuiabá Alfredo da Mota Menezes é historiador e analista político em Cuiabá

Alfredo da Mota Menezes é historiador e analista político em Cuiabá

Recebi um documento de 54 páginas que foi mandado pela Administradora Boliviana de Carreteras para o Secretário de Obras Públicas do governo de Santa Cruz de la Sierra.

O título: Aprobacion del estudio a nivel tesa del proyecto ‘construccion camino San Inacio-San Vicente-Las Petas-San Matias’. É o estudo sobre o asfaltamento da Bolívia para a fronteira de MT em San Matias.

Ali constam análises de impacto ambiental, hidrológico, socioeconômico, custo por trechos. Fala-se até num financiamento pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento.

A importância desse documento para esta coluna não é somente porque ligaria MT aos Andes e ao Pacífico por asfalto.

A importância maior é que derruba uma tese criada em Mato Grosso de que o governo boliviano não queria essa ligação porque beneficiaria Santa Cruz de la Sierra, lugar hostil eleitoralmente a Evo Morales.

Fechamos a porta para qualquer conversa com os bolivianos. Ficamos tão afastados que o Estado foi retirado do bloco de Integração Econômica do Centro Oeste Sul Americano ou Zicosur.

Um país que tem 900 km de fronteiras com MT. Lugar que, segundo a Polícia Federal, traz 65% da cocaína para o Brasil. Onde temos interesses comercias e de trabalho conjunto no combate à febre aftosa.

A desculpa montada aqui de que o Governo em La Paz não queria a carretera porque fortaleceria Santa Cruz está derrubada, portanto. E mais derrubada ainda porque Evo Morales ganhou a última eleição ali.

Tem outra estória sobre esse assunto contada por alguém que estava na comitiva de Blairo Maggi que foi à Bolívia em março de 2006 para um encontro com Evo Morales.

Maggi conversou com ministros do governo, mas a audiência com o presidente foi cancelada. Ficaram bravos, chamando de irresponsável o presidente do país.

E o Evo tinha também seus motivos. Era a época da crise do gás para a termelétrica do estado e até mesmo para carros.

Em 2003 foi criado o MT-Gás. Mais tarde, em 2006, o governo ajudou taxistas a comprarem um kit (custava três mil reais) para converter o gás em combustível para táxi.

Empresários investiram para venderem o gás aos veículos e era ano eleitoral e a coisa dera para trás.

Evo sabia que Blairo ia falar sobre isso e ele não podia fazer nada porque o governo boliviano havia vendido mais gás do que podia produzir.

O Governo de lá resolveu priorizar o ramal da Petrobras para S. Paulo e também para os argentinos.

MT estava fora e o Evo não queria conversa com o governador. Criou-se aqui uma birra, coisa que não devia haver em relações internacionais.

Agora que se sabe, pelo projeto citado acima, que o governo dali caminha para o nosso lado. Não seria o momento de irmos ao encontro deles? Não seria o momento de retomar e aprofundar o entendimento sobre aquela rodovia?

A ZPE de Cáceres ia agradecer muito.

ALFREDO DA MOTA MENEZES é historiador e analista político em Cuiabá.

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