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OPERAÇÃO SODOMA

Delegado se defende e diz que houve “má interpretação” em conversa com Nadaf

Divulgação

O delegado da Polícia Civil de Mato Grosso, Anderson Garcia,  afirmou que deve ter ocorrido uma má interpretação e que o relacionamento dele com o ex-secretário Pedro Nadaf era estritamente profissional. A entrevista foi dada ao site G1/MT.

Garcia é suspeito de ‘vazar’ informações da Operação Sodoma para o ex-secretário da Casa Civil, Pedro Nadaf, antes dele ser preso pela Delegacia Fazendária, no dia 15 de setembro do ano passado.

A descoberta foi feita por meio de uma perícia técnica em aparelhos celulares apreendidos durante a “Operação Sodoma”.

Nadaf foi preso sob suspeita de ter recebido propina para concessão de incentivos fiscais no Estado. Além dele, o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e o ex-secretário de Fazenda, Marcel de Cursi, também são acusados do mesmo crime.

Os três se encontram presos no Centro de Custódia de Cuiabá desde setembro do ano passado.

Segundo Anderson Garcia, o único contato que teve com Nadaf depois que deixou a função de diretor-geral da Polícia Civil e Nadaf o comando da Casa Civil, ocorreu em agosto do ano passado.

“Depois que deixei o cargo, ele me procurou umas três vezes para tirar dúvidas sobre uma arma para um sítio. Não me lembro se era para ele ou para um amigo. Expliquei para ele que isso era feito pela Polícia Federal e não mais pela Polícia Civil”, afirmou ao G1/MT.

Ele estava respondendo a três apontamentos na prestação de contas do Tribunal de Contas do Estado (TCE), do período em que era gestor e, para tirar dúvidas sobre essa questão, ele disse ter procurado o ex-secretário no ano passado. “Não tem nada a ver com a Operação Sodoma”, alegou.

Ele disse ter 28 anos de serviço e que, nesse período, não houve nada que pudesse denegrir a sua imagem.

No dia 3 de setembro, 12 dias antes de ser deflagrada a operação policial, o delegado realizou uma ligação telefônica a Pedro Nadaf.

A conversa durou 2m21s e levantou suspeita da Polícia Civil. “Cabe ressaltar que tal ligação ocorreu ocorreu após a conversa entre Marcel Cursi e Pedro Nadaf sendo que o primeiro (Marcel) indicou para que o segundo (Pedro) sumisse”, diz trecho do relatório feito pelo delegado Lindomar Aparecido Toffoli, que comanda as investigações.

A suspeita de que o delegado tenha vazado a operação policial aumentou nos dias seguintes.

No dia 14 de setembro, a perícia identificou que o ex-secretário Pedro Nadaf manteve conversas via Whatsapp, aplicativo de mensagens disponíveis em smartphones, com um contato de sua agenda telefônica identificado como “Anderson.-PC”.

Na conversa, o delegado marca um encontro com Nadaf na sede da Academia de Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso no período da tarde, no mesmo dia.

 Antes de chegar ao local, Nadaf informou que compareceria ao local com o aparelho celular desligado, o que em tese, dificultaria seu monitoramento numa eventual interceptação.

Além disso, a conversa foi excluída de seu aparelho celular, revelando assim a intenção de manter o diálogo às escondidas. “Frise-se que na conversa Pedro Nadaf diz para Anderson Garcia que: vou inclusive com este desligado, ou seja, informando que desligaria seu aparelho celular, pois o aparelho celular desligado não é possível identificar a localização através das erb’s, mostrando que ele não queria que tal encontro fosse descoberto. Compete observar que esta conversa foi excluída do aparelho celular, mostrando a intenção de ocultar este diálogo”, diz o relatório.

No mesmo dia que manteve a conversa com o delegado, no dia 14 de setembro, Nadaf entrou em contato com sua ex-esposa Geiziane Antelo, informando que estava “muito mal” e que “seria duro”, mas que “iria superar”, aumentando as suspeitas de que tinha prévio conhecimento de que algo lhe poderia acontecer.

Antes disso, no dia 11 de setembro, Nadaf já se mostrava temerário com alguma operação policial.

Durante conversa no aplicativo Whatsapp com a ex-esposa, ele revelou que foi orientado por um advogado a dormir em Chapada dos Guimarães . “Independente, meu adv é muito bom(..) O cara me deu segurança, mas quer que eu durma na Chapada”, disse.

OUTRA SUSPEITA

No dia 15 de setembro, quando foi deflagrada a Operação Sodoma, o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) tinha um depoimento marcado na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Renúncia e Sonegação Fiscal.

Agentes da Polícia Civil se deslocaram até a sede da Assembleia Legislativa para prendê-lo, mas Silval Barbosa não compareceu, o que levantou a suspeita de que teria sido avisado do mandado de prisão preventiva.

O ex-governador chegou a ficar por cerca de 48 horas como foragido. Com o cerco fechado, ele resolveu se entregar.

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