https://matogrossomais.com.br/wp-content/uploads/2015/09/alfredo-da-mota-menezes.jpg

Curiosidades da eleição nos EUA

Alfredo da Mota Menezes é historiador e analista político em Cuiabá Alfredo da Mota Menezes é historiador e analista político em Cuiabá

Alfredo da Mota Menezes é historiador e analista político em Cuiabá

Na eleição primária norte-americana estão na disputa dois descendentes latino-americanos, uma mulher, um “socialista” e outro com propostas poucos comuns para uma candidatura à presidência. Essa mistura é um fato novo na história eleitoral daquele país.

Antes de entrar em cada caso, algo diferente já acontecera na escolha de Barack Obama pelo partido Democrata. Pela primeira vez um negro ganhou as primárias e a eleição.

Disputava com ele, no mesmo partido, uma mulher, Hilary Clinton, outra novidade num país que nunca elegeu uma mulher para a presidência.

Obama quebrou a escrita num país em que o negro praticamente não votava. Foi somente em 1965 que a Suprema Corte estabeleceu a regra de um homem, um voto.

Apenas 43 anos depois daquela decisão um norte americano negro chegou à Casa Branca.

Voltando aos tempos atuais. É a primeira vez que se tem latino americano na disputa para a presidência nos EUA. E são dois no partido Republicano, Ted Cruz e Marco Rubio. São descendentes da elite cubana que foi para os EUA depois da tomada de poder por Fidel Castro.

No geral, o latino-americano nos EUA tem mais afinidade e vota no partido Democrata. Os dois políticos latinos, ao contrário, estão no partido mais conservador e um deles, Ted Cruz, está mais à direita que o normal na vida política do país.

No partido Democrata a disputa entre Hilary Clinton e Bernie Sanders também é sugestiva. Hilary, se ganha as primárias, seria a primeira mulher a disputar a presidência dos EUA. E, se ganha, a primeira a governar o país.

Sanders se intitula “socialista”. O socialismo dele nada mais é do que a social democracia que existe na Inglaterra, Alemanha ou Suécia. Mas suas ideias são quase revolucionárias para os EUA. Propõe atacar a fortuna dos mais ricos, principalmente aquele 1% que tem a maior parte do dinheiro do país.

Com mais dinheiro pretende criar um sistema público de saúde. Nos EUA não existe saúde pública. Lá praticamente todos pagam um plano de saúde. O Obama aprovou o Obamacare para uma pequena parcela da população.

O que já foi outra novidade. Fala Sanders ainda em melhorar o ensino e que será também gratuito. E, como mais uma curiosidade da eleição, ele é o primeiro judeu a participar de uma.

Talvez Sanders esteja tendo apoio porque o humor da classe média nos EUA está mudando. Trabalham uma vida inteira na busca do sonho norte-americano e andam resmungando com o pouco que alcançam.

Ela também está diminuindo, aumentam-se os mais ricos e também os mais pobres. Sanders está explorando esse crescente descontentamento da classe média.

E por último tem Donald Trump do partido Republicano com uma linguagem um tanto racista e de radicalizar ações dos EUA no exterior. E está sendo ouvido. Ele tem apoio entre eleitores jovens porque dizem que estão cansados das mentiras da classe política.

Não é só aqui, portanto.

ALFREDO DA MOTA MENEZES é historiador e analista político em Cuiabá.

Veja Mais

Deixe seu Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *