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OPERAÇÃO SODOMA

Funcionária diz que cedeu nome para empresa de fachada de Nadaf

A secretária de Pedro Nadaf, Karla Cintra, na Federação do Comércio de Mato Grosso (Fecomércio), admitiu nesta quinta-feira (18), durante interrogatório na Sétima Vara Criminal de Cuiabá, que cedeu seu nome ao ex-chefe da Casa Civil para ser incluído no quadro societário de uma empresa de fachada, a NBC – Assessoria, Consultoria e Planejamento Ltda, apontada pelo Ministério Público (MP) como envolvida no esquema de fraude a incentivos fiscais investigado na operação Sodoma.

Karla e Pedro Nadaf são acusados de participação nos crimes apurados na operação. A informação é do G1/MT.

Segundo a reportagem, na última quarta-feira, a Justiça deu início à fase de interrogatório dos réus na ação penal da operação Sodoma; foram ouvidos Silvio Cezar Correa Araújo, ex-chefe de gabinete do ex-governador do estado Silval Barbosa (PMDB), o ex-procurador do estado Francisco Lima (que foi preso ao deixar o Fórum de Cuiabá devido às investigações de uma outra operação, a Seven) e o ex-secretário estadual de Fazenda Marcel de Cursi.

Para esta quinta-feira foram agendados os interrogatórios de Karla Cintra, Silval Barbosa e Pedro Nadaf.

NBC

Conforme a denúncia do MP, a NBC foi utilizada pelo grupo integrado por Silval Barbosa e Pedro Nadaf, entre outros, para a prática de lavagem de dinheiro, a fim de ocultar a origem ilícita de recursos de propinas obtidas por eles junto ao empresário João Batista Rosa no esquema investigado na operação Sodoma.

A NBC recebeu transferências bancárias para o pagamento da propina entre novembro de 2013 e abril de 2015; Karla Cintra figurou no quadro societário da empresa entre junho de 2011 e dezembro de 2013, quando foi substituída pelo filho de Pedro Nadaf.

“Trabalho com o Nadaf há muitos anos e cuido também das coisas pessoais. Ele queria tirar a dona Laila (avó dele) e cedi o nome até que o filho dele tivesse maioridade. Isso do que me acusam [lavagem de dinheiro] não é verdade. Nunca fui sócia de fato. Era algo puramente burocrático”, contou Karla Cintra durante o interrogatório na Sétima Vara Criminal.

Atualmente, afastada da Fecomércio, ela explicou que, por ter cedido o nome para a inclusão no quadro da empresa e prestar serviços relacionados, recebia remuneração extra de R$ 3 mil por mês.

Ela também disse que chegou a fazer um acerto trabalhista com Nadaf pelos serviços pessoais prestados a ele e sua família e acabou recebendo pagamento em cheques do empresário João Batista Rosa – hoje delator do esquema de fraude investigado na operação.

“Nunca tirei férias e cheguei a fazer um acerto em 2013. Quase dez anos de serviço pessoais prestados, recebi cerca de R$ 50 mil em cheques. Acredito que todos os cheques eram do João Rosa. Eram cheques com valores pequenos, todos menos de R$ 5 mil”, revelou.

Karla ainda admitiu que jamais questionou Nadaf sobre a natureza dos cheques e sobre o emissor.

Perguntada sobre o empresário, ela afirmou que o viu apenas duas vezes – em uma dessas, ele estava passando pelos corredores da Fecomércio.

Já a promotora Ana Cristina Bardusco, do MP, afirmou durante o interrogatório que, conforme as investigações, Karla Cintra recebeu pelo menos R$ 80 mil em cheques de João Batista Rosa.

A interrogada respondeu que R$ 50 mil eram referentes a férias de seis anos atrasadas, remunerações mensais e 13º salário.

Participando do quadro da NBC, Karla Cintra contou que chegou a contratar apenas uma secretária, ficou responsável por pagar contas (como de energia elétrica) e que compareceu poucas vezes à sede.

Ela também negou ter conhecido qualquer cliente da NBC, mas preencheu declarações de renda da empresa trimestralmente (o montante seria de aproximadamente R$ 35 mil, declarou).

Delator e réu

A funcionária afastada da Fecomércio também relatou uma transação entre João Batista Rosa, delator, e Pedro Nadaf, um dos réus da operação Sodoma.

Neste episódio, Nadaf apresentou um número de Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e determinou que ela emitisse uma nota fiscal em nome da NBC no valor de R$ 30 mil e que, em seguida, enviasse por e-mail para a empresa Tractor Parts, uma das empresas do delator.

A nota fiscal relatava serviços de consultoria supostamente prestados pela NBC.

Sobre a relação entre Nadaf e João Batista Rosa, Karla relatou que jamais presenciou qualquer traço de animosidade entre os dois ou ameaça.

Ela viu os dois juntos somente uma vez, ao saírem da presidência da Fecomércio, à época ocupada por Nadaf (que, paralelamente, era titular da Casa Civil do estado de Mato Grosso).

Neste episódio, Nadaf e Rosa estavam rindo, sem qualquer animosidade aparente, contou. Ela também negou ter ouvido qualquer conversa referente a incentivos fiscais. As informações são do G1/MT

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