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Duas ferrovias

Encontro em Cuiabá mostrou as alternativas para escoar parte da produção de grãos de MT por portos do Pará. Daria para escoar por ali cerca de 22 milhões de toneladas.

O frete, ao invés de ir para Santos ou Paranaguá como é hoje, diminuiria mais de 30%.

Já está quase pronto o asfalto pela rodovia 163 para aquela região. Foi ainda apresentado outro dia o estudo de viabilidade de uma ferrovia, Ferrogrão, para os portos do Norte do país. Ferrovia que poderia ser construída pela Bunge, Cargill, ADM, Amaggi e Dreyfus.

Comenta-se que Pedro Taques faria um estradeiro ou uma viagem de carro de Cuiabá a portos do Pacífico agora em abril.

Faria boa parte do trajeto previsto da ferrovia Bioceânica ou aquela que os chineses querem construir que iria do Pacifico ao Atlântico no Brasil passando por RO, AC, MT e GO.

Os chineses devem apresentar no primeiro semestre deste ano um estudo sobre a viabilidade daquela ferrovia.

Cometa-se que esta ferrovia teria problemas para ser construída porque passa na Cordilheira dos Andes.

Os chineses construíram ferrovias até no Tibet. Quem a defende com certa ênfase é a Frente Parlamentar Pró-Ferrovia Bioeceânica que tem deputados e senadores dos estados onde ela passaria.

Para MT, se as duas ferrovias saíssem, seria o ideal. Uma para o Norte, o Atlântico e o Canal do Panamá e a outra para a Ásia.

Mas, dizem especialistas, que não há carga para duas ferrovias que receberiam grãos quase do mesmo espaço geográfico, ali pelo Médio Norte e Nortão de MT.

A ferrovia para os portos do Norte teria a vantagem de que o dinheiro gasto em portos seriam no Brasil.

Os investimentos em portos da outra ferrovia irão beneficiar outros países e nem tanto portos brasileiros.

Mas, por outro lado, a ferrovia bioceânica ligaria MT ao maior e promissor mercado do mundo, a Ásia.

A China caminha para ser a maior potência do mundo, suplantando os EUA, além de ter um mercado de 1.3 bilhões de pessoas.

A vantagem dessa ferrovia seria a ligação com o enorme mercado asiático vendendo e comprando em ambas as direções.

MT poderia vender bens in natura e também se acredita que a Ásia compre mais bens da agroindústria do estado do que outros lugares.

Se a China construir mesmo a ferrovia, entrar na América do Sul, Mato Grosso no meio do caminho, poderia se estabelecer uma sadia disputa dela com os interesses norte-americanos na região.

Aliás, já começou com as norte-americanas ADM, Cargill e a Bunge que lá vive, associada a outras duas, com a Ferrogrão, se contrapondo à Bioeceânica ou à entrada dos chineses no coração da América do Sul.

A Guerra Fria acabou, agora é negócio, deixem os chineses virem, os EUA já estão aqui e que as duas maiores economias do mundo disputem interesses nesse pedaço do continente.

MT seria um dos poucos estados do Brasil dentro de um novo jogo do comércio internacional.

ALFREDO DA MOTA MENEZES é historiador e analista político em Cuiabá.

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