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"ATESTADO DA VERDADE"

Lula diz em depoimento à Polícia Federal que vai ser candidato em 2018

Reprodução

O ex-presidente Lula (PT) afirmou em depoimento à Polícia Federal que será candidato à presidência em 2018 e solicitou aos delegados que, depois da investigação, deem a ele um “atestado de estar dizendo a verdade sobre cada coisa”.

A íntegra do depoimento de Lula, que durou cerca de três horas, foi divulgado nesta segunda-feira (14) pela Justiça Federal.

O ex-presidente foi ouvido durante as investigações da 24ª fase da Operação Lava Jato.

Nesta etapa a Lava Jato investiga a relação do ex-presidente e de seus familiares com as empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção na Petrobras.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF) e com a Polícia Federal (PF), há indícios de que o ex-presidente recebeu vantagens indevidas de empreiteiras investigadas pela Lava Jato.

Estão no foco das análises das investigações principalmente um apartamento tríplex no Guarujá, reformas em um sítio em Atibaia e pagamentos por palestras por meio do Instituto Lula e da empresa LILS Palestras, que percence a Luiz Inácio Lula da Silva e leva as iniciais de seu nome na sigla.

Lula foi levado coercitivamente para prestar depoimento à Polícia Federal. A defesa do ex-presidente chegou a pedir que o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendesse o procedimento, mas o pedido foi negada pela ministra Rosa Weber.

Os advogados alegaram que a maneira como Lula foi levado para depor foi “desnecessária”. Em nota, divulgada à época, o Instituto Lula afirmou que a ação da Polícia Federal foi “arbitrária, ilegal e injustificável”

Durante o depoimento, os advogados questionaram a Polícia Federal sobre a condução coercitiva.

Os delegados se defenderam. “Ordem judicial a gente cumpre, não questiona”, disse o policial. Porém, o delegado alertou que a forma como ex-presidente foi levado para depor “talvez favoreça o próprio intimando (Lula)”.

Doações

Grande parte das questões apresentadas ao ex-presidente envolveram as doações feitas por empreiteiras ao Instituto Lula.

O ex-presidente afirmou que as doações não dependem de contrapartida e disse que não recebe, nem pede, pessoalmente, dinheiro aos doadores.

Segundo ele, só quem recebe dinheiro em nome do Instituto é o presidente Paulo Okamotto e a diretora Clara Ant.

O ex-presidente afirmou que “é possível” que empresas investigadas pela Lava Jato tenham feito doações ao seu Instituto.

Sobre a Camargo Correa, o ex-presidente atacou citando o também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

A Camargo Corrêa “deu para o Instituto metade do que deu para o Fernando Henrique, e deveria ter dado mais para nós”, disse Lula.

Sobre o dinheiro que recebe com suas palestras, por meio da LILS, que as investigações suspeitam que tenham sido usado pelo Instito Lula, o ex-presidente afirmou que também faz palestras contratadas pelo Instituto.

“A receita das palestras fica na LILS e vai ser utilizada depois que todas as empresas que vocês (PF e MPF) estão destruindo neste país não puderam contribuir mais financeiramente, o dinheiro (das palestras) vai ser usado para manter o Instituto”, disse.

Tríplex

À Polícia Federal, Lula reafirmou que o apartamento tríplex no Guarujá não é dele.

O ex-presidente disse que o Ministério Público vai ter que provar que o apartamento pertence a ele e aconselhou a Polícia Federal a mandar “prender um cidadão do Ministério Público” que diz que o apartamento é dele.

“Porque eu tenho um apartamento que não é meu, eu não paguei, estou querendo receber o dinheiro que eu paguei, um procurador disse que é meu, a revista Veja diz que é meu, a Folha diz que é meu, a Polícia Federal inventa história do tríplex, que foi uma sacanagem homérica, inventa história de típles, inventa história de uma off-shore do Panamá que veio para cá, que tinha vendido prédio, toda uma história para me ligar à Lava Jato”, atacou.

Candidato em 2018

“Vou ser candidato à presidência em 2019 porque acho que muita gente que fez desaforo pra mim, vai aguentar desaforo daqui pra frente. Vão ter que ter coragem para me tornar inelegível”, disse o ex-presidente. “Nem o que estão tentando fazer comigo agora vai fazer com que eu mude de posição”, avisou o ex-presidente.

Sítio em Atibaia

Lula negou mais uma vez que não sabia da reforma no Sítio Santa Bárbara, em Atibaia, São Paulo.

Disse ainda que a PF deve perguntar aos donos do sítio se alguma construtora havia feito reforma no local.

A força-tarefa afirma que as empreiteiras OAS, Odebrecht e o pecuarista José Carlos Bumlai pagaram uma reforma e custearam a aquisição de móveis para o sítio.

Empresas do filho

Segundo as investigações, a empresa G4 Entretenimento e Tecnologia, que pertence ao filho de Lula, recebeu um pagamento de R$ 1 milhão do Instituto Lula.

O petista afirma não ter conhecimento dos pagamentos, mas afirma que, se a empresa recebeu um pagamento é porque prestou um serviço.

Foto: Divulgação

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