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QUEM DÁ MAIS?

Empresário revela que grupo de Silval fazia ‘leilão’ para cobrar propina de empresas

Hipernotícias

O empresário Willians Mischur, dono da Consignum, revelou em depoimento à Justiça, em decorrência da Operação Sodoma III, realizada pela Delegacia Fazendária, que o então chefe de Gabinete de Silval Barbosa (PMDB), Sílvio Cesar Correa de Araújo, ameaçou cancelar os contratos da empresa de Mischur com o Estado.

Segundo trecho da denúncia, Sílvio Cesar Correa de Araújo, que é figura recorrente em ações penais que envolvem o ex-governador, foi peça importante dentro da suposta organização criminosa liderada por Silval.

O empresário relatou as autoridades que Sílvio o teria coagido afim de que ele pudesse aumentar o valor da propina repassada para o bando, e numa espécie de leilão, o ex-chefe de gabinete de Silval teria dito que já existia uma outra empresa interessada em cobrir a proposta exigida pela suposta organização.

Willians Mischur chegou a apresentar extratos financeiros da sua empresa alegando a impossibilidade de aumentar o valor da propina.

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A reunião, segundo Mischur, teria acontecido entre Sílvio, ele (empresário) e César Zílio, ex-secretário de Administração.

De acordo com a denúncia, Sílvio teria muito poder e influência junto ao ex-governador.

Na reunião, César Zílio teria defendido a empresa do empresário, já que o mesmo vinha honrando os compromissos com o grupo.

ENTENDA O CASO:

A decisão da juíza Selma Rosane de Arruda na terceira fase da Operação Sodoma, investigação realizada pela Delegacia Fazendária de Mato Grosso, mostra porque os envolvidos tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça.

Líder do grupo, Silval levou tombo de César Zílio. Foto: Divulgação
Líder do grupo, Silval levou tombo de César Zílio. Foto: Divulgação

Segundo a juíza, o suposto esquema liderado pelo então governador Silval Barbosa (PMDB) tinha como alvo empresários que tinham contratos com o Estado.

A prisão preventiva decretada contra Silval e os ex-secretários de sua gestão, César Zílio, Pedro Elias Domingos de Mello e José Nunes Cordeiro, sendo este último Coronel da Polícia Militar,  e o chefe do seu gabinete, Sílvio Correa, mostra que o grupo extorquia os empresários em valores não menores que R$ 500 mil.

César Zílio responsável por arrecadar as propinas. Saiu da Sad porque estaria dando tombo no grupo liderado por Silval Barbosa (PMDB). Foto: Divulgação

De acordo com a investigação, o pagamento de propina era sempre feito para o ex-secretário da Sad, César Zílio.

As evidências do suposto esquema foram descobertas a partir do depoimento do empresário Willians Mischur, dono da Consignum.

Ele tinha contrato com o Estado desde 2008, ainda na gestão do então governador Blairo Maggi (PR), e teria sido procurado por Zílio em 2011, já no mandato de Silval Barbosa.

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Segundo consta a denúncia, Zílio teria pedido propina para o empresário afim de custear despesas de campanha de Silval Barbosa, sob pena de ter os contratos com o Estado cancelados.

Após o combinado, o empresário relatou na investigação que cumpriu o acordo de passar para o ex-secretário, mensalmente, R$ 500 mil.

Segundo diz a denúncia, Zílio sempre dizia para o empresário que o dinheiro era repassado para Silval Barbosa.

TROCA DE ZÍLIO POR PEDRO ELIAS

Durante o governo Silval Barbosa, César Zílio foi tirado da Secretaria de Administração, e no seu lugar entrou Pedro Elias.

O empresário foi alertado por Silval que Pedro Elias seria a pessoa que continuaria a receber a propina dada por ele.

Substituto de César Zílio na Sad, Pedro Elias, segundo a investigação, foi o responsável por continuar a receber as propinas. Foto: Divulgação

Consta no trecho do depoimento do empresário que César Zílio estava sendo trocado porque, em linhas subliminares, estaria dando o famoso ‘tombo’ no grupo de Silval.

A confirmação de que Zílio estaria dando ‘golpe’ no grupo do ex-governador veio com o depoimento de um outro empresário, Julio Minoru, dono da empresa Webetch Softwares e Serviços Ltda, que também mantinha contratos com o Governo anterior.

Em trecho do depoimento, o empresário diz que a saída de César Zílio estaria relacionada com o descontentamento do bando, já que o ex-secretário não repassava toda a propina paga pelos empresários.

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BRAÇO ARMADO DE SILVAL BARBOSA

Ainda segundo o depoimento do empresário Willians Mischur, dono da Consignum, ele revela um fato assustador.

José Nunes Cordeiro é tido como o braço armado do grupo liderado por Silval Barbosa (PMDB). Foto: Divulgação

No grupo liderado por Silval Barbosa um dos membros era tido como o braço armado da organização criminosa.

O ex-secretário adjunto da Secretaria de Administração, o coronel PM, José Nunes Cordeiro, que também teve a prisão preventiva decretada pela Justiça.

Consta na denúncia que Cordeiro era o responsável pela realização das Licitações no Estado.

De acordo com o empresário, ele teria ameaçado ‘melar’ os contratos da sua empresa porque César Zílio não estaria distribuindo a propina paga pela empresa dele, Cordeiro então exigiu o valor de R$30 mil.

Trechos do depoimento, na imagem abaixo, mostram que Cordeiro ameaçou a família do empresário.

Para a juíza Selma Rosane Arruda, toda organização criminosa possui um membro com características violentas, e Cordeiro seria essa pessoa, o braço armado do grupo de Silval Barbosa.

cordeiro violento

Silval Barbosa, Sílvio Correa, seu chefe de gabinete durante sua gestão, Pedro Elias e José Nunes Cordeiro continuam presos.

Suspeito de ser o maior beneficiário do suposto esquema, César Zílio ganhou a liberdade após alguns dias preso.

Ele assinou um termo de delação premiada para evidenciar com provas como funcionava o esquema liderado por Silval Barbosa.

Foto de capa: Hipernotícias

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