https://matogrossomais.com.br/wp-content/uploads/2015/10/josé-riva-dois-dois.jpg

OPERAÇÃO VENTRÍLOQUO

Em vídeo, Riva nega pedido de propina e acusa deputados de mentores

De atestado médico, Riva não comparece em audiência de instrução

Um vídeo cedido pela Justiça mostra o depoimento do ex-deputado José Riva à juíza Selma Rosane Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, no dia 19 de abril, em decorrência da Operação Ventríloquo, em que o ex-parlamentar acusa a participação dos deputados estaduais Romoaldo Júnior (PMDB) e Mauro Savi (PSB), e como o esquema envolvendo o desvio de R$ 9 milhões teria acontecido dentro dos corredores da Assembleia Legislativa.

“Eu quero confessar, eu quero contribuir, além de falar até onde vai a minha responsabilidade. Até porque os fatos narrados são meio distorcidos e eu tenho condições de recolocar a verdade”, diz um dos trechos do depoimento de Riva.

O suposto esquema é investigado pelo Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

A Operação Ventríloquo resultou na terceira das quatro prisões de José Riva, logo após ele ter deixado a cadeira de deputado na Casa de Leis.

Nesta prisão, ele ficou apenas um dia no Centro de Custódia de Cuiabá.

Riva já havia sido preso durante a Operação Ararath, em 2014, quando ainda era deputdo, e Imperador, logo após ter deixado a Assembleia Legislativa, em fevereiro de 2015 e por último a Operação Metástase, que investiga desvio de verbas de suprimentos da AL. Nesta última prisão, Riva ficou mais de seis meses no Centro de Custódia de Cuiaá.

Para a juíza, no depoimento da Operação Ventríloquo, José Riva negou que tenha sido o líder do suposto esquema envolvendo um pagamento a mais para o Banco Bamerindus, mais tarde chamado de HSBC. O pagamento era de uma dívida que a AL tinha com a Agência.

Segundo as investigações do Gaeco, o desvio teria ocorrido da seguinte forma: o HSBC tinha uma dívida de R$ 10 milhões com a AL, correspondente a atraso no pagamento do seguro de vida dos servidores – com juros e multas – e fez um acordo para que fosse pago a metade desse valor, ou seja, algo em torno de R$ 5 milhões.

Porém, o valor pago ao banco em 2013 foi de R$ 9,4 milhões, tendo a instituição devolvido aos envolvidos no esquema o valor sobressalente à dívida cobrada.

O dinheiro devolvido seria correspondente, segundo o MPE, à propina cobrada de pouco mais de R$ 4 milhões para facilitar o pagamento, o que o ex-parlamentar negou.

“Eu não pedi nem um por cento. Fui comunicado que já estava feito o acordo e eu não era presidente [da Assembleia]. Eu ainda lembro que referi a ele [advogado do deputado Romoaldo Júnior] e disse que eu não tinha a caneta, que não sabia se isso ia se concretizar, mas que tava fechado”, disse.

Segundo Riva, os deputados Romoaldo Júnior (PMDB), que na época era o presidente da ALMT, e Mauro Savi (PSB), que era o primeiro-secretário da Casa, eram os intermediários do esquema. O ex-deputado, por sua vez, não fazia parte da Mesa Diretora do Legislativo.

Nova versão

Nessa nova versão apresentada por Riva, ele teria sido contatado pelo advogado Joaquim Fábio Mielli, que apresentou o esquema montado por Romoaldo e Savi, a fim de conseguir o apoio do ex-parlamentar no esquema.

“Tanto que quando me encontrei com o deputado Romoaldo, ele me comunicou que o acordo com o Joaquim Fábio Mielli com o HSBC ia devolver 45%. Aí eu falei que tava bom e acertou lá. […] E eu vou confessar para a senhora [juíza] que vi que os 45% eram propina e vi quando ele se ofereceu que se eu tivesse alguma conta pra pagar […].”, disse.

Riva ainda pediu à Justiça dez dias para reunir documentos e provas. Ele deverá prestar novo depoimento no dia 20 de maio.

Outro lado

O HSBC afirmou que não irá comentar o depoimento. Já o deputado Mauro Savi negou qualquer participação para desvio de verbas.

A assessoria do deputado Romoaldo Júnior informou que o parlamentar está internado com um grave problema de saúde e que, por isso, está incomunicável.

Já a defesa de Joaquim Minelli afirmou que ele está colaborando de forma premiada com as investigações. Com informações do G1/MT.

Veja Mais

Deixe seu Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *