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OPERAÇÃO CÉLULA-MÃE

Ex-presidente da Assembleia Legislativa, Riva anuncia que vai confessar

MIDIANEWS - LUCAS RODRIGUES E AIRTON MARQUES
redacao@matogrossomais.com.br

De atestado médico, Riva não comparece em audiência de instrução

A juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, adiou o reinterrogatório do ex-deputado José Riva, marcado para a tarde desta quarta-feira (27), relativo à ação penal derivada da Operação Célula-Mãe.

Na ação, Riva é acusado de liderar suposto esquema que teria desviado R$ 1,4 milhão da Assembleia Legislativa, por meio de compras fictícias feitas com as verbas de suprimentos.

O adiamento ocorreu a pedido do ex-parlamentar, que afirmou que só poderia contar a verdade dos fatos após a realização de uma perícia nos documentos apreendidos na residência da servidora Marisol Castro Sodré, ré e delatora do esquema.

Os documentos citados são planilhas que mostrariam a prestação de contas sobre o uso da verba de suprimento no gabinete de Riva.

“Quero falar o tamanho da minha responsabilidade. Passei a madrugada analisando as planilhas. Elas são muito destoantes da realidade. Vou fazer uma confissão. Se eu for interrogado depois da perícia, vou ter melhores condições de falar”, adiantou ele, que foi preso em outubro de 2015 em razão da acusação, sendo solto no início deste mês pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

À imprensa, Riva disse que os valores das planilhas juntadas à ação estavam repetidos.

“Tem R$ 916 mil contabilizados de pagamento e só R$ 80 mil de [verba de] suprimento. Está claramente repetido 13 vezes. Como vou mensurar minha responsabilidade com uma planilha 10 vezes maior do que realmente é? A juíza foi sensata, pois entendeu que, depois da perícia, terei plenas condições de falar sobre isso”, afirmou.

“Vou contar na plenitude o que aconteceu. O que me interessa é falar a verdade, porque acho que não compensa você querer ludibriar ninguém.

Com a decisão, a defesa de Riva – representada pelo escritório Mudrovitsch Advogados – deverá ingressar com um pedido para que a magistrada autorize a realização da perícia documental.

Riva já havia sido interrogado pelos fatos, em março, ocasião em que negou ter desviado recurso da Assembleia. Porém, ele pediu para depor novamente em razão de querer confessar sua responsabilidade sobre os fatos.

O ex-deputado também decidiu fazer confissão na ação penal da Operação Ventríloquo, que apura desvio de R$ 9,4 milhões da Assembleia. Além de admitir que participou do esquema, ele acusou outros deputados de terem colaborado com as tratativas.

A denúncia

A Operação Célula-Mãe foi deflagrada em outubro de 2015. O suposto esquema teria desviado cerca de R$ 1,7 milhão dos cofres públicos e contado com a participação de servidores e advogados.

Além de Riva e dos seus ex-chefes de gabinete Maria Helena e Geraldo Lauro, outros 21 réus respondem a uma ação em separado pelos mesmos fatos.

Segundo as investigações, José Riva comandaria o suposto esquema e os servidores seriam os responsáveis por receber o dinheiro das verbas de suprimento, montar as fraudes, coagir servidores e “blindar” o ex-deputado.

Conforme o Gaeco, Riva se utilizava de parte do dinheiro para a manutenção de “mensalinho” para políticos e lideranças do interior do Estado.

Além disso, as investigações concluíram que os recursos bancariam uma série de “mimos”, que seriam distribuídos a “inúmeras pessoas físicas e jurídicas, tanto da Capital, como do interior de Mato Grosso”.

Entre os itens citados pelo Gaeco, estão a distribuição de uísques, o pagamento de festas de formaturas (inclusive, de faculdades particulares), jantares, serviços de massagistas, entre outros.

O promotor Marco Aurélio de Castro, chefe do Gaeco, disse que a investigação também constatou que o ex-deputado se utilizava dos recursos desviados para abastecer suas aeronaves particulares e custear despesas com honorários advocatícios.

 

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