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ESTÁDIO DA COPA

Presos de Mato Grosso serão usados para fazer limpeza da Arena Pantanal

Atualmente, cerca de 600 presos do regime fechado e semiaberto do sistema penitenciário de Mato Grosso prestam serviços em autarquias e secretarias do Governo do Estado, na capital e no interior.

Na próxima segunda-feira (09.05), esse número vai crescer: trinta novos detentos iniciarão os trabalhos de limpeza das arquibancadas da Arena Pantanal, em Cuiabá.

A assinatura do Termo de Responsabilidade e Cautela (TRC), que rege a contratação entre os detentos e o Governo do Estado, foi feita na sexta-feira (06.05) e contou com a participação do secretário adjunto de Patrimônio e Serviços da Secretaria de Gestão (Seges), Robson Gonçalves, e a presidente da Fundação Nova Chance (Funac), Cíntia Selhorst Barbosa.

Antes da assinatura que formalizou a parceria de reinserção dos apenados, eles conheceram o gramado, as arquibancadas e parte das salas que integram a Arena Pantanal.

“Antes mesmo de começarem a trabalhar, é interessante que eles conheçam o local de trabalho e se ambientem com esta enorme estrutura que é a Arena”, explicou o coordenador de Operações da Arena Pantanal, Renan Araújo.

Nos primeiros dois meses serão 30 presos prestando serviços gerais na Arena.

Passado esse período mais 30 serão contratados pela Seges.

Eles trabalharão 40 horas por semana, de segunda a sexta-feira, nos horários entre 8h às 12h e 13h às 17h, com uma hora de intervalo para almoço.

Antes de iniciarem os trabalhos eles terão direito a café da manhã. A remuneração será de um salário mínimo mensal e recebimento semanal de vale transporte.

Nessa primeira semana, eles farão a limpeza das arquibancadas do setor leste da Arena, que abrigará os torcedores do jogo pela Copa do Brasil 2016, entre os times de Dom Bosco e Atlético Paranaense. Essa disputa será na próxima quarta-feira (11), às 20h30.

“Vocês servirão de exemplo para os colegas de semiaberto e o trabalho aqui na Arena representará para vocês o início de uma nova etapa”, afirmou o juiz da Vara de Execuções Penais de Cuiabá, Geraldo Fidelis.

Entre os que apoiam a ideia defendida pelo juiz Geraldo Fidelis, está W. V. de 25 anos.

Respondendo processo criminal por roubo de carro e tráfico internacional de drogas, ele vê a oportunidade de trabalho como a chance para dar exemplo ao filho, de um ano de vida, e de recomeçar no mercado de trabalho.

“Trabalho desde os 17 anos. Já fui motorista e motoboy. Estou há um ano e seis meses no regime semiaberto e uma vaga de trabalho nos dias atuais, em tempos de crise no País, não pode ser desperdiçada”, comenta W. V.

O mesmo afirma W. N. de 34 anos.

“Passei 11 anos preso por cometer roubo. Fiquei todo esse tempo aguardando uma oportunidade como essa. Já passei por diversas entrevistas de emprego e já sofri preconceito pelo uso de tornozeleira, e sei que essa chance que está sendo dada é rara”, comenta ele, que é pai de dois filhos, um de 15 anos e outro 10, e que, assim como W. V., quer dar exemplo.

Além da oportunidade de emprego, os 60 detentos passarão nos próximos meses por cursos de capacitação aos sábados. A qualificação será de eletricista predial, pedreiro, pintor e demais funções que poderão ser realizadas na estrutura da Arena Pantanal.

“Em algum momento o Estado tem que amparar. Ao seguir para o semiaberto muitos estão sem qualificação, e nesse primeiro momento esses empregos servirão para devolver a oportunidade que muitos perderam ao cometerem crimes”, avalia a presidente da Funac, Cíntia Selhorst.

 

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