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O fato e a versão

Lá pelos anos 1950, o ministro da Fazenda do presidente Juscelino Kubitschek, José Maria Alkmin, o mais legítimo dos políticos da velha guarda, era um dicionário de espertezas políticas.

É dele a frase: “em política a versão vale mais do que o fato”. Traduzindo: o que não for resolvido de imediato vira versão e mata a essência do fato.

Daí por diante, a situação fica sujeita à navegação duvidosa entre a versão que cresce, e o fato que diminui de importância e perde a verdade que continha.

Uma sucessão de crises nasceu em Mato Grosso num curto espaço de tempo e elas rapidamente estão se transformando em versão.

Como ela vale mais do que o fato, a recuperação da verdade original a cada dia perde mais peso.

Eleito por uma maioria enorme de votos, o governador Pedro Taques começou a navegar num discurso oportuno e desejado sobre ética.

O apoio popular deu-lhe uma leitura de que não carece de consultar e nem de conversar muito porque sua autoridade consolidada nas urnas basta pra que suas verdades sejam aprovadas e compreendidas. Não é bem assim.

O apoio popular é volátil e vai e vem como onda. Em Mato Grosso, o peso da opinião pública está em Cuiabá-Várzea Grande, onde se concentra um terço da população.

O interesse da população por política é muito maior do que nos municípios, onde vida se guia por outra dinâmica.

Fora o fato de que nesse terço, há uma presença muito grande de funcionários públicos. São categorias organizadas, defensoras históricas dos seus direitos, sejam eles oportunos ou não.

Com essa categoria, com alto poder de penetração na sociedade desse terço de população, surgiu e está se consolidando a versão de que o governo estadual não paga o Reajuste Geral Anual-RGA, porque não quer. E que arrecada mais do arrecadava antes.

Esta é a mais aguda de todas as crises. É preciso matar a versão antes que ela mate o fato.

Se acontecer, depois não tem mais remédio pra recuperar a verdade original.

Como crise puxa crise…! Uma greve geral geraria os piores tipos de versões.

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso.

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