OPERAÇÃO RÊMORA

Empresário revela ao Gaeco que deputado federal do PT cobrava propina na Seduc

Em depoimento ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), o empresário José Henrique Marimon Stephan, um dos sócios-proprietários da Sanepavi Construções, informou que para a empresa receber pelos serviços prestados à Secretaria de Estado de Educação (Seduc) era feita a exigência de pagar propina de 3% do valor para contribuir com a campanha do deputado federal Ságuas Moraes (PT) nas eleições de 2014.

O período citado no depoimento faz referência ao ano de 2014, quando o petista exercia a função de secretário de Estado de Educação, se desligando do cargo somente em abril daquele ano por imposição da legislação eleitoral.

Por conta da revelação, o Gaeco deverá remeter parte dos autos ao STF (Supremo Tribunal Federal), que detém competência para autorizar a investigação de parlamentares federais na esfera criminal, o que por sua vez é conduzida pela Procuradoria-Geral da República, em obediência ao foro por prerrogativa de função assegurado pela Constituição Federal.

Conforme trecho do depoimento ao qual a reportagem teve acesso, o empresário José Henrique Marimon Stephan informou que soube por meio do seu patrão Mário Lourenço Salem que pagava 3% de propina para receber as medições das obras em andamento na Secretaria de Estado de Educação.

A propina seria entregue à servidora pública Nuccia Maria Gomes Almeida Santos, na época secretária-adjunta de Estrutura Escolar, que comparecia à sede da empresa para receber o dinheiro da propina.

“Que seu patrão dizia que esse dinheiro era arrecadado pela Seduc para patrocinar a futura campanha eleitoral do à época secretário Ságuas Moraes”, diz um dos trechos do depoimento.

Em nota de esclarecimento, a assessoria de imprensa do deputado federal Ságuas Moraes rebateu a declaração.

Informou que o petista que deixou a Seduc em outubro de 2013, quando reassumiu o mandato de deputado federal e concorreu à reeleição em 2014.

Durante a campanha o deputado pediu doações a diversas empresas e pessoas físicas. Todas as doações que recebeu estão declaradas na prestação de contas entregue ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e são de domínio público.

Dentre tantas empresas e pessoas físicas que doaram para a campanha do deputado Ságuas constam as empresas JER, Poli, Aroeira, Ampla e Geotop, citadas na operação Rêmora.

Diferente do que o Gaeco revelou nessa Operação em que havia uma cobrança deliberada de propina dessas empresas, na campanha eleitoral de 2014 o deputado pediu doações espontâneas, sem que elas fossem obrigadas a doar.

Com relação à servidora Nuccia Maria Gomes Almeida Santos, o deputado disse que ela trabalhou na Seduc no período em que foi secretário, porém desconhece que ela tenha procurado qualquer empresa com o intuito de receber vantagem indevida.

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