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Eficiência pública

Não se pode debitar somente ao Governo Pedro Taques os erros que levaram o Estado à atual crise financeira e de gestão.

Ele “comeu mosca” em 2015 e deixou passar algumas correções que seriam inevitáveis.

Mas a essência dos erros vem de trás e está bem explicada no trabalho “Mato Grosso 2016 – Reprogramação Estratégica do Desenvolvimento do Estado”, contratado em 2012 pela Associação Mato-grossense dos Municípios – AMM, ao economista Paulo Rabello de Castro.

O estudo foi entregue ao governador Silval Barbosa como contribuição e foi ignorado. Se aproveitado, a crise atual da despesa versus arrecadação estaria resolvida desde então.

Na Assembléia Legislativa, o estudo incluiu a produção de um projeto de lei sobre a eficiência da gestão do estado defendida pelo ex-deputado José Riva. Mas não andou.

O estudo contempla quatro pontos a respeito do Estado de Mato Grosso: os pontos fortes, os pontos fracos, as ameaças e as oportunidades.

Os pontos fortes são o “crescimento chinês” do PIB na última década. Média de 7,1% ao ano. Um fenômeno no país.

Porém, o ponto fraco e preocupante é que a despesa pública vem crescendo e se deteriorando muito mais do que a arrecadação de impostos.

A taxa das despesas tem crescido a razão de 17% ao ano, com um foco não no desenvolvimento econômico, mas dentro da própria estrutura do Governo: salários, dívidas, repasses aos poderes.

Na ponta, uma péssima infraestrutura que acabou ficando com míseros 3% de investimentos dentro do orçamento governamental no ano.

O estudo revela que as despesas com pessoal estavam caminhando pra se tornarem insustentáveis. Em 2016 ficaram! Cresceram 17% anual em média desde 2005.

De lá pra cá, os efeitos na indexação  da RGA pelo INPC em 2009, gerou o suicídio das contas públicas.

No mesmo período a arrecadação de ICMS cresceu só 12,2%. Portanto, o déficit vem se acumulando.

Em 2015, o governador deveria ter percebido a defasagem e posto o pé no freio das despesas com pessoal.

De agora pra frente, não poderá mais trabalhar sem uma calculadora na mesa e com mudanças na lei que fixou o INPC como indexador.

Sob pena de não sobreviver às futuras crises.

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso.

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Um comentário em “Eficiência pública”

  1. jose moizes pereira leite disse:

    penso que o grande peso no orçamento do estado com gasto com pessoal esta nos órgãos onde os salários são muito elevados, além de muitos benefícios que provocam uma grande despesa para os cofres públicos, e seus reajustes sequer são questionados, enquanto que todo o corte é pensado apenas nas áreas onde os salários são inferiores e de certa forma não tem força para impor suas insatisfações a não ser por meio das greves e ainda são taxados de vagabundos e tem todas as culpas atribuídas a elas. mas ninguém percebe que o estado só funciona graças a estes servidores que realmente trabalham e não tem direito sequer a um vale alimentação, muitos tem que comer comida fria já que não tem dinheiro para pagar uma refeição de qualidade. e muito menos condições de se dirigir até a sua casa para uma refeição, pois se fazer isso vai lhe faltar o dinheiro para pagar a condição no dia seguinte, e a esta classe que é atribuída a culpa do rombo provocado as contas do estado com pagamento de salários.

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