OPERAÇÃO SEVEN

Denúncia no Gaeco cita secretário por não pagar buffet de posse de governador

O secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, foi citado na denúncia oferecida pelo Ministério Público Estadual (MPE) contra 13 suspeitos de lavagem de dinheiro por contratar e não pagar o serviço de buffet montado na posse do atual governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB), ocorrida em 1º de janeiro de 2015.

A informação consta no depoimento prestado no último dia 6 ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) pelo empresário Alan Ayoub Malouf, proprietário do Buffet Leila Malouf, em Cuiabá.

O depoimento foi prestado durante as investigações do Gaeco na Operação Seven 2, que apura o destino de R$ 7 milhões que teriam sido desviados dos cofres do estado durante a gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

O proprietário do buffet teria usado um cheque de R$ 50 mil, dado como parte do pagamento do serviço prestado na posse do ex-governador Silval Barbosa, em 2011, para quitar a dívida contraída com uma floricultura para a realização da cerimônia de posse do atual governador do estado.

O cheque, porém, era rastreado pelo Gaeco por supostamente ser resultado do esquema fraudulento.

Por meio de seu advogado, o empresário Alan Malouf informou que está viajando e que não vai se pronunciar sobre o assunto agora.

Ele reiterou, ainda, que já prestou os esclarecimentos devidos ao Ministério Público Estadual.

Já a assessoria da Casa Civil disse que manteve contato com o cerimonial do evento apenas para discutir o formato da cerimônia e que o secretário Paulo Taques não tem qualquer vínculo com a denúncia feita pelo Gaeco.

‘Calote’
O chefe da Casa Civil não é um dos investigados na operação Seven.

No entanto, o MP salienta, na denúncia oferecida à Justiça estadual na última terça-feira (21), que “o que causa espécie é que, segundo relatou Alan Ayoub Malouf, até o presente momento ele não recebeu nenhum centavo do valor gasto na posse do atual governador”, num total de R$ 650 mil.

Ainda segundo o Gaeco, nas duas ocasiões em que foi contratado para a realização de cerimônias de posses no governo do estado, o empresário contou apenas com contratos verbais, sem formalização dos negócios.

Na primeira ocasião, quando foi contratado para organizar a posse do ex-governador Silval Barbosa, o serviço prestado por Alan Malouf teria custado R$ 950 mil, que seriam pagos, de acordo com o empresário, com verbas de gabinete.

“Conforme o empresário, o pagamento não ocorreu de pronto, de modo que durante todo o mandato  de Silval Barbosa, nos anos de 2011, 2012 e 2013, ele cobrou a dívida de diferentes secretários que passaram pela Casa Civil, sem lograr êxito em receber o pagamento pelo serviço prestado”, diz trecho da denúncia.

Durante o depoimento ao Gaeco, o empresário alegou que, no final de 2014, recebeu uma ligação do gabinete do então governador Silval Barbosa, informando que a dívida seria paga.

Em seguida, ele teria recebido um envelope com diversos cheques, emitidos por pessoas diferentes – entre elas, o médico Filinto Correa da Costa, investigado na Operação Seven.

O dinheiro, segundo o MP, tinha por lastro dinheiro oriundo do desvio de verbas públicas, as quais totalizam a metade do valor devido pela realização do evento.

Aos promotores do Gaeco, o empresário alegou “que estranhou o recebimento por meio de cheques diversos, contudo, como tinha receio de não receber, aceitou a forma de pagamento”.

“De acordo com as provas dos autos, no mês de dezembro de 2014, Alan Malouf foi procurado agora por Paulo Taques, o qual contratou também verbalmente pelo montante de R$ 650 mil, a realização do evento de posse do atual governador do estado, Pedro Taques”, diz trecho da denúncia.

Segundo consta na denúncia, para a realização do evento, o empresário alegou ter utilizado um cheque no valor de R$ 50 mil, emitido por Filinto Correa da Costa – que estava entre os tantos cheques recebidos como pagamento pelo buffet do evento de posse de Silval, organizado em 2011 – para pagar as flores que serviriam para a decoração da cerimônia de posse do governador Pedro Taques.

Alan Malouf foi convocado a depor no MP após o cheque usado por ele para pagar a floricultura ser rastreado pelo Gaeco e ser descoberto nas mãos do empresário responsável pela prestação do serviço de decoração no evento.

Denúncia
O depoimento prestado por Alan Malouf foi anexado à denúncia da Operação Seven 2, protocolada pelo Gaeco na Sétima Vara Criminal de Cuiabá.

Caso a denúncia seja aceita pela Justiça, se tornarão réus no processo treze pessoas, entre elas ex-secretários de estado, ex-servidores públicos e empresários.

Veja Mais

Deixe seu Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *