PRESO NA RÊMORA

Empresário fica em silêncio no depoimento ao Gaeco e advogado alega inocência

O empresário Giovani Guizardi ficou em silêncio e não respondeu a nenhuma das perguntas feitas pelos promotores e delegados do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), na tarde desta quinta-feira (28), em Cuiabá.

De manhã, antes do depoimento, o advogado Rodrigo Mudrovitsch, que patrocina a defesa do empresário,  em entrevista ao Mato Grosso Mais, disse que o seu cliente não iria responder a nenhuma pergunta, já que ele entende que o empresário deve falar somente ao Poder Judiciário.

Na saída do prédio do Gaeco, Giovani foi cercado por jornalistas. O empresário também não quis falar com a imprensa, veja vídeo abaixo feito pelo repórter Wellington Sabino, do Gazeta Digital.

https://www.youtube.com/watch?time_continue=31&v=AxpbienRugM

O silêncio foi a mesma estratégia usada pelos advogados de Permínio Pinto, ontem, em depoimento ao Gaeco.

O ex-secretário também não respondeu a nenhuma das perguntas feitas pelo Gaeco.

Na entrevista, Rodrigo comentou que o empresário não tem envolvimento com os supostos esquemas descobertos durante a Operação Rêmora.

Giovani Guizardi é apontado nas investigações feitas durante a Operação Rêmora, deflagrada pelo Gaeco, como um dos supostos chefes do esquema de fraudes em contratos e licitações que teriam ocorrido dentro da Secretaria de Estado de Educação.

Segundo as investigações do Gaeco, a fraude teria ocorrido em 23 obras da Secretaria de Estado de Educação onde os prejuízos poderiam chegar perto dos R$ 56 milhões.

Em nota , o Governo do Estado negou que tenha ocorrido fraude em 100% das obras investigadas e contestou os dados divulgados pelo Gaeco alegando que os valores de possíveis prejuízos seriam de R$ 32 milhões.

Giovani Guizardi está preso desde o dia 3 de maio, quando foi realizada a primeira fase da Operação Rêmora.

Ele já tentou a liberdade junto ao Tribunal de Justiça, por meio de um HC.

No pedido formulado ao TJ, a defesa do empresário alegou que a prisão não poderia ser decretada em função da incompetência da juíza para o caso.

Isso porque, as investigações supostamente atingem o ex-secretário Permínio Pinto Filho (PSDB), que à época detinha foro privilegiado.

A organização criminosa, conforme o Gaeco, é composta por três núcleos: de agentes públicos, de operações e de empresários. O núcleo de operações, após receber informações privilegiadas das licitações públicas para construções e reformas de escolas públicas estaduais, organizou reuniões para prejudicar a livre concorrência das licitações, distribuindo as respectivas obras para 23 empresas, que integram o núcleo de empresários.

Por sua vez, o núcleo dos agentes públicos era responsável por repassar as informações privilegiadas das obras que iriam ocorrer e também garantir que as fraudes nos processos licitatórios fossem exitosas, além de terem acesso e controlar os recebimentos dos empreiteiros para garantir o pagamento da propina.

Já o núcleo de empresários, que se originou da evolução de um cartel formado pelas empresas do ramo da construção civil, se caracterizava pela organização e coesão de seus membros, que realmente logravam, com isso, evitar integralmente a competição entre as empresas, de forma que todas pudessem ser beneficiadas pelo acordo.

As fraudes no caráter competitivo dos processos licitatórios começaram a ocorrer em outubro de 2015 e dizem respeito a, pelo menos, 26 obras de construção e/ou reforma de escolas públicas em diversas cidades do Estado de Mato Grosso, cujo valor total ultrapassa o montante de 56 milhões de reais.

Segundo o Gaeco, está comprovado que após o pagamento por parte da Seduc aos empreiteiros o valor de (inicialmente 5% e posteriormente de 3%) era devolvido a parte da organização criminosa através do arrecadador da propina Giovani Belatto Guizardi.

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