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Século das cidades

Trago esta abordagem por conta das eleições municipais deste ano. É a reprodução de um artigo já publicado neste espaço no dia 22 de junho último.

O século 19 foi o século dos impérios, o século 20 foi das nações e o século 21 será das cidades. Esta definição é do arquiteto Carlos Leite, publicada no último caderno “Eu & – Fim de Semana”, do jornal Valor Econômico.

O planeta está cada vez mais urbanizado. Até 2050, de cada três pessoas no mundo, duas viverão nas cidades, diz o arquiteto.

Partindo desse pressuposto do novo papel das cidades ele acrescenta que elas são organismos vivos e às vezes adoecem.

É o caso dos centros urbanos das grandes e médias cidades, onde é muito boa a infraestrutura urbana, mas acabam por ficar abandonados pela própria dinâmica local.

Ele defende as parcerias público-privadas, PPPs, para essa simbiose entre o poder público municipal e a economia, resultando em verdadeiras cirurgias nesses pontos onde as cidades adoeceram. A tendência do urbanismo no mundo é buscar territórios mais compactos.

O resultado é melhor infraestrutura e mais eficiência, na medida em que as cidades deixem de ser espalhada se pouco densas como são a maioria das cidades brasileiras.

Ele cita o exemplo de São Paulo, cuja densidade média é de 78 habitantes por hectare (10 mil m2). A densidade média razoável seria 250 habitantes por hectare. Cidades como Cuiabá tem as suas características próprias.

Entre elas o fato de ser extremamente espalhada e requerer infraestrutura cara em pontos distantes entre si. Encarece os serviços públicos e reduz a sua eficiência.

Exemplo: na década de 1990 o governador do estado da época abriu o bairro Pedra 90, 20 quilômetros distante do centro, invadindo a competência do município de Cuiabá de decidir sobre o seu próprio território urbano.

Lá se vão quase 30 anos e no meio do enorme vazio urbano, passam caminhões de lixo, transporte urbano, linhas de energia elétrica e redes de água. Qualquer interligação custa caro ou vai demorar muito até acontecer.

No caso de Cuiabá e de Várzea Grande, pela proximidade, as duas cidades receberão o forte impacto do crescimento econômico no interior.

Tanto na forma de investimentos imobiliários, de novos negócios e de apoio a uma imensa demanda por serviços públicos e privados em áreas de apoio.

Portanto, espera-se duas cidades melhor preparadas do que mostram os seus respectivos planejamentos urbanos.

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso.

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