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Quem abandonou quem?

Arquivo Pessoal

Wilson Santos é acusado de abandonar Cuiabá. Abandonou? Penso que acertou ao sair da prefeitura para tentar frear o desastre que foi Silval Barbosa no governo do Estado de Mato Grosso. Infelizmente, não se elegeu. Se Cuiabá houvesse doado o seu prefeito ao governo estadual, provavelmente não teríamos o maior fenômeno de corrupção da história republicana mato-grossense.

Não seria a primeira vez, aliás. Dante de Oliveira, o ícone político nacional do qual temos orgulho, saiu da prefeitura para assumir uma revolução conduzida por ele: transportes, integração e energia, um trinômio que pavimentou o desenvolvimento de Mato Grosso, projetando-o como um dos estados com maior envergadura produtiva no país. Dante de Oliveira, deputado federal, prefeito, governador, ministro, morreu sem deixar nenhum patrimônio de origem ilícita. Esse fato marca a diferença entre um grupo e outro, mas a menção ao histórico de doação do homem público não basta. É preciso uma terapia de grupo para tratar de Wilson Santos.

Wilson Santos é um homem político. Tem seus erros, evidentemente: com memória atilada, inteligência refinada e língua mordaz, a ironia pelo qual o “galinho” é conhecido fez mal à imagem pessoal dele. Hoje em dia, as pessoas preferem seriedade, objetividade e propostas. Já não é mais tempo para ironias. É preciso falar de forma franca e responsável. Ele aprendeu. Tornou-se avô. Já tem rugas ao redor dos olhos. No entanto, mantém a forma física e esteve pronto para o combate diante do recuo legítimo do atual prefeito Mauro Mendes.

O homem que enfrentou Silval Barbosa, Alexandre César, os caciques do PMDB e a gula estatista do PT, está de volta. Por enquanto, não vou mencionar o que fez por Cuiabá. Vou me limitar a indicar esse enfrentamento político ao qual ele se propôs. Afinal, quem errou? Wilson Santos ao sair do mandato de prefeito ou um grupo político irresponsável ao avalizar a turma da botina e eleger Silval Barbosa, atualmente detido no Carumbé? Quem estava com quem, afinal de contas?

Não quero perder tempo para tecer críticas aos adversários. Não compensa. A desmontagem da imagem vestal artificialmente construída será realizada pelas contradições durante a campanha. Evidencio apenas uma pergunta: quem, na Assembleia Legislativa, era a base de sustentação de Silval Barbosa? Quem afirmou, em alto e bom som, que o atual encarcerado Silval Barbosa estava “preparado, afiado, comprometido”?

Quem afirmou conhecer o perfil do ex-governador e avalizou politicamente a candidatura deste alienígena junto à cuiabania? Quem gastou o próprio nome, o histórico, a biografia da família, o capital político entre o tradicional eleitorado da capital, com Silval Barbosa? Certamente por esse erro Wilson Santos não deve pedir desculpas. Muito ao contrário: enquanto os adversários avalizavam Dilma/Lula, de um lado, outros elogiavam Eder Moraes, de outro. Aliás, quem apoiou, da tribuna legislativa, o nome de Eder Moraes para a Agecopa e para a Casa Civil? Certamente, repita-se, por esse erro Wilson Santos não deve pedir desculpas.

Wilson Santos mostrou-se humilde. Pedir desculpas é típico de alguém que trabalhou de verdade, como engraxate, como jornaleiro, ao contrário de outros que nascem em berço de ouro. Na avaliação dele, ter deixado a prefeitura foi um erro. Não concordo. O erro está em ter pedido a eleição para Silval Barbosa. Mas o eleitor pode ser enganado com esse sofisma. Felizmente, temos o tempo como testemunha do que aconteceu com a derrota de Wilson Santos. Foi ele quem perdeu ou fomos nós, o povo mato-grossense, que fomos derrotados?

Foi ele quem se prejudicou ou fomos nós, os eleitores, os traídos pela corrupção endêmica do grupo político PMDB/PT? Quem deve pedir perdão a Mato Grosso é, antes de Wilson Santos, os adversários dele. Foram eles que bradavam um Eder Moraes como “competente”, “pulso firme”, “um homem de confiança”. Foram eles que sustentaram Silval Barbosa e outros políticos que se tornaram habitués dos centros penitenciários mato-grossenses. Wilson tinha um sonho – o de ser governador. É um pecado? Pode ser. Mas a ambição política dele não se compara à ambição venal do grupo contrário.

Por fim, venceu o fenômeno Pedro Taques. Por que Cuiabá aprova o governador, com todas as idiossincrasias dele? É simples. Porque é honesto. Porque não espera a corrupção instalar-se para agir cortando do governo quem não está alinhado com a identidade íntegra que se confunde com a própria biografia dele. Pedro Taques apoia Wilson Santos. Por que? Outra questão fácil. Trata-se de defender a cidade. Defender contra um enorme grupo de viúvas de Silval Barbosa que pretende aparelhar a prefeitura com as mesmas pessoas, o mesmo staff, o mesmo procedimento condenável.

Vamos refletir no abandono: quem abandonou quem? Foi Wilson Santos que abandonou Cuiabá ou foram os adversários que usaram o eleitor cuiabano para acolher em casa um aventureiro? Sejamos responsáveis! Se pudéssemos voltar no tempo, não só pediríamos que Wilson Santos abdicasse do mandato de prefeito como o elegeríamos contra Silval Barbosa e seus apoiadores.

Eduardo Mahon é advogado.

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