DONO DA DÍNAMO

Alvo do Gaeco diz que arrecadou mais de R$ 1 milhão em propina na Educação

O empresário Giovani Guizardi, acusado de integrar uma quadrilha que desviou verba da Secretaria Estadual de Educação (Seduc) destinada à reforma de escolas públicas estaduais, firmou acordo de delação premiada com o Ministério Público Estadual (MPE) e confessou ter participado do esquema na pasta.

Ele disse ao MP ter arrecadado, ao longo de toda sua participação no esquema, R$ 1,2 milhão em propina, dos quais R$ 120 mil ficaram com ele e o restante foi distribuídos entre os outros integrantes da organização.

Guizardi foi solto na quarta-feira (30), após passar sete meses preso devido a deflagração da operação “Rêmora”, do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco).

No acordo de colaboração premiada, ele nega que tenha iniciado o esquema de fraudes, mas afirma que era o responsável, no ano de 2015, por receber a propina paga pelas empresas que mantinham contrato com a Seduc.

 “Confirma que no ano de 2015 foi criada informalmente uma organização criminosa, na qual o delcarante fez parte, e o intuito dessa organização criminosa era arrecadar ‘fundos’ ilícitos para fins de saldar pagamentos não declarados em campanhas eleitorais ocorridas no ano de 2014”, diz trecho do termo de declaração firmado entre o empresário e o MP.

De acordo com Guizardi, o esquema já funcionava anteriormente na pasta, sendo que, até novembro de 2014, o responsável pela arrecadação dos valores indevidos era o empreiteiro Ricardo Sguarezi, dono das construtoras Aroeira e Relumat.

O empresário Ricardo Sguarezi afirmou que não teve acesso ao conteúdo da delação e que, por isso, não iria se manifestar sobre o assunto.

O empresário alega que foi envolvido no esquema por meio do empresário Alan Malouf, a quem ele conhece desde a sua infância, e que quando tomou parte na organização criminosa, ela já operava dentro da Seduc com a participação do ex-secretário da pasta, Permínio Pinto (apontado pelo Gaeco como líder no esquema), pelo servidor Fábio Frigeri e pelos empresários Ricardo Sguarezi e Leonardo Guimarães Rodrigues.

O ex-secretário e o servidor estão presos, atualmente, e a reportagem não conseguiu contato com as suas respectivas defesas. O G1 também não conseguiu contato com o empresário Leonardo Guimarães.

Segundo Guizardi, na organização que já estaria em operação quando ele tomou conhecimento do esquema, Sguarezi recebia 3% de todo o valor pago pela Seduc às empresas por ela contratada, dinheiro este que era repassado ao superintendente de Estrutura Escolar, à época, o servidor Wander Luiz dos Reis, que também é acusado de participar da fraude. Wander foi preso pelo Gaeco no Rio Grande do Norte, em maio deste ano, e a reportagem não conseguiu localizar os seus advogados de defesa.

Quando decidiu participar do esquema, Guizardi afirmou que percebeu que haveria uma forma de ampliar o valor da propina arrecadada e convidou Alan Malouf a participar, uma vez que seria uma forma de reaver o dinheiro que ele disse ter investido na campanha do atual governador do estado, Pedro Taques (PSDB).

Por meio de nota oficial, o governador lamentou o envolvimento de seu nome no caso e refutou qualquer tentativa de envolvê-lo em qualquer ato ilegal, alegando que a prestação de contas da sua campanha eleitoral de 2014 foi aprovada sem ressalvas pela Justiça Eleitoral.

Segundo Guizardi, apenas Alan não estaria recebendo o valor injetado na campanha em retorno, enquanto outros investidores já estariam reavendo os recursos pagos à época. “Então, sugeriu ao Alan Malouf que aumentasse o percentual  dessa vantagem indevida para 5% sobre os valores  que seriam recebidos pelas empresas através da Seduc”, afirmou o empresário, no depoimento.

Divisão dos valores

Conforme Guizardi, a propina paga pelas empresas que mantinham contratos com a Seduc era dividida da seguinte forma: 25% era destinado ao deputado Guilherme Maluf (PSDB), apontado pelo empresário como quem teria poder político dentro da Seduc; 25% ao ex-secretário Permínio Pinto e 25% ao empresário Alan Malouf; 10% para ele mesmo; 5% ao servidor Fábio Frigeri e mais 5% ao servidor Wander Reis.

Os 5% restantes era usados, segundo o delator, para a administração do esquema, como gastos com combustível, telefones celulares, energia, aluguel da sala comercial onde ocorriam as reuniões com os empresários para acertar as licitações da pasta, entre outros.

Ao MP, Guizardi disse ter decidido entregar a maior parte da propina (25%) “para aquelas figuras que formalmente eram os responsáveis pela pasta”, no caso Permínio e Maluf, e “para aquele que efetivamente pôs dinheiro na campanha do governo do estado, que era o Alan Malouf”.

“Incluiu o deputado Guilherme Maluf na divisão porque, embora ele não tenha lhe feito a solicitação, ‘é assim que funcionava e todo mundo sabe, quando tem ilegalidade’ […] e que para o esquema dar certo ‘tem que agradar a todos’”, diz trecho da delação.

Por meio de nota, o deputado Fuilherme Maluf negou participação em uma eventual irregularidade cometida na Seduc e disse que “tomará as providências cabíveis assim que a sua assessoria jurídica tiver acessos aos autos do processo e teor das denúncias”. Ele afirmou, ainda, que confia na Justiça e que ficará comprovado que ele não teve participação em qualquer irregularidade.

Já o empresário Alan Malouf afirmou, por meio de sua assessoria, que nunca foi líder de nenhuma organização criminosa e que a sua defesa aguarda ter acessos autos para se manifestar. Ele disse, ainda, que está à disposição das autoridades para prestar as informações necessárias.

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