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SUSPEITA DE IRREGULARIDADE

Justiça impede micro de circular e 6 mil pessoas são prejudicadas

Divulgação

A partir do dia 1º de dezembro, cerca de seis mil pessoas por dia passaram a ficar sem o transporte alternativo nas linhas que atendem os bairros Cidade Verde, Itapajé, Santa Amália, Parque Cuiabá e Santa Isabel, em Cuiabá (MT).

Esse é o volume de passageiros que era atendido pelos micro-ônibus das linhas 106, 605 e 609 impedidos de circular por força de liminar concedida à empresa Integração Transportes.

Na ação movida pela empresa a alegação é que as sete operadoras que atuam no serviço de “táxi-lotação” estariam realizando atividade ilegal, pois a autora teria exclusividade de exploração das linhas.

Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Alternativo de Cuiabá e Várzea Grande (SETA), Marco Aurélio Sales, a decisão causa estranheza, uma vez que esse tipo de transporte está presente na Capital há cerca de 20 anos, com permissão da própria Prefeitura para atuar na cidade.

Ele lamenta que a decisão judicial tenha sido tomada sem que fosse levada em conta a necessidade da população, a mais prejudicada nessa história, frisa.

“São seis mil pessoas que deixam de ter uma alternativa para circular pela cidade diariamente com os dez micro-ônibus impedidos de trabalhar”, calcula.

Marco Aurélio lembra que hoje o serviço prestado pelos ônibus é insuficiente para atender a grande demanda, o que faz com que as pessoas tenham que esperar muito mais tempo nos pontos.

Segundo ele, os chamados “táxi-lotação” representam um ponto de equilíbrio dentro do sistema, oferecendo opções aos usuários.

Ele lembra que a função dos micro-ônibus é justamente proporcionar um serviço diferenciado, que atende às necessidades das populações mais carentes de Cuiabá.

“Além da diminuição do tempo de espera, muitas vezes o transporte alternativo, pelo tamanho dos carros, é o único que tem condições de passar em determinadas ruas.

Diferente dos ônibus, nós temos mais possibilidade de parar fora dos pontos, atendendo assim quem tem dificuldade de locomoção, idosos e deficientes”, exemplifica.

O presidente da Associação dos Moradores Santa Isabel, Clebinho Borges, afirma que a retirada de circulação dos micro-ônibus causa muito transtorno aos usuários de transporte coletivo do bairro.

“É maior tempo de espera nos pontos de ônibus e diminui a concorrência. O monopólio das empresas de ônibus vai tomar conta. Sem o micro não tem concorrência para eles. Nossa demanda é grande. Só de usuários são mais de 5 mil aproximadamente. Com micro é melhor, facilita. Nossa linha faz também o Parque Cuiabá, atravessa a cidade, o trajeto é o longo”, diz.

“São poucos ônibus na linha, se arrancar um aqui do bairro fica difícil. A coisa é séria. Com esses ônibus alternativos já é difícil, se tirar os micros, aí pronto”, reclama Antônio Fernando do Carmo, presidente Associação Moradores do Novo Terceiro. Segundo ele, os horários dos ônibus são muito irregulares e isso acarreta sérios problemas para os trabalhadores, que chegam atrasados ao serviço. “Era para ter mais micro-ônibus. Não é só meu bairro. A linha passa Cidade Verde, Novo Terceiro, Coophamil, Cidade Alta, Verdão e vai embora. Então é um ônibus que tem grande importância para nós”, reforça.

O presidente do SETA ressalta ainda o impacto econômico que a medida acarreta. De acordo com ele, são pelo menos 25 trabalhadores prejudicados, pessoas que ficam sem poder trabalhar e, consequentemente, sem renda.

Pelos cálculos realizados pelo Sindicato, ao todo os 56 carros que atendem a população transportam cerca de 680 mil passageiros por mês e a proibição prejudicará mensalmente aproximadamente 122 mil passageiros.

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