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O que é fascismo social

É uma forma de se relacionar de forma autoritária com o próximo, inferiorizando-o ou até negando a existência do outro, tratando-o como objeto e meio de atingir uma satisfação pessoal, mediante a exploração da vítima, até mesmo o seu extermínio, caso não sirva aos seus interesses fisiológicos.

O afeto que está latente em qualquer relação fascista é o ódio. A condição humana do sujeito fascista, além de autoritária, é profundamente egoísta e violenta.

Essa visão separatista, afeto agressivo e condição desumanizada, juntos, promovem olhares tortos contra a diversidade, cara feia aos diferentes de si e o desejo de eliminação de todos os que sejam considerados inúteis pelo sujeito fascista, para o “mundinho” idealizado por ele, que cabe numa lata de refrigerante ou numa caixa de fósforo qualquer.

Um exemplo claro de fascismo social, que facilita a compreensão dessa categoria, é o processo de culpabilização da vítima nos casos de violência praticada por outrem contra si, sobretudo naqueles que culminam em morte, principalmente quando ela integra algum dos grupos discriminados culturalmente.

São muitos os grupos alvos de preconceitos e atos de força, sendo os mais corriqueiros os de mulheres em conflitos domésticos, assediadas no trabalho e praticamente excluídas dos espaços de exercício do poder (machismo, misoginia e patriarcalismo); jovens e adolescentes infratores ou usuários de drogas, fundamentalmente se pobres e negros moradores das periferias (marginalização e racismo); povos tradicionais e refugiados (xenofobia); gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis, quando assumem sua condição publicamente (homofobia).

Trata-se da naturalização da violência contra algumas pessoas humanas, tão só por conta de alguma das suas características pessoais ou de grupo, quase sempre involuntárias, que destoam do estabelichment sócio-cultural, coercetivo e estruturado.

Isso é fascismo social!

É contagiante?

O fascismo social é contagioso, pois ele prolifera pela cultura e, principal e esteticamente, pela linguagem discursiva e simbólica, sendo que os meios de comunicação servem de veículos para o referido vírus, e ninguém está imune a ele.

Tem cura?

Segundo consta, o antídoto é o conhecimento humanitário e o autoconhecimento humano, temperados pela humildade e a fraternidade, pelo amor ao próximo e o reconhecimento da condição humana dele, independente das suas características individuais ou coletivas.

E uma boa terapêutica é a do diálogo e compreensão, ao revés do método da acusação e julgamento, do vigiar e punir, bem como a do cuidado e consideração recíprocos, na tentativa de deixar o narcisismo de todos nós para trás e nos tornar seres humanos, o mais solidários e altruístas possível.

Paulo Lemos é advogado e presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da 14a Subsecção da OAB/MT

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