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MORTE NO CPA III

Ministério Público recorre e pede prisão de major da Polícia Militar de MT

O Ministério Público Estadual (MPE) ingressou com novo pedido de prisão preventiva do major da Polícia Militar, W.F.O.P.J, suspeito de assassinar A.L.A.O, 27, no dia 2 de agosto de 2016, no bairro CPA 3 em Cuiabá, numa retaliação a morte do policial militar Élcio Ramos Leite.  A informação foi confirmada pelo promotor de Justiça Jaime Romaquelli.

Um recurso em sentido estrito foi protocolado na sexta-feira (10) requerendo a reforma da decisão da juíza da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, Maria Aparecida Ferreira Fago, que negou a prisão preventiva e se limitou apenas em aceitar a denúncia pelos crimes de homicídio qualificado e fraude processual.

“A nossa opinião é que a prisão preventiva deve ser decretada. A magistrada poderá reconsiderar a decisão. Se mantê-la, será encaminhado ao Tribunal de Justiça para análise dos desembargadores”, explicou o promotor Jaime Romaquelli.

De acordo com o Ministério Público, em vez de prender A.L.A.O e encaminhá-lo à Delegacia de Polícia para lavratura do auto de prisão em flagrante, W.F.O.P.J, do alto de sua patente de major, decidiu matar A.L.A.O, como forma de demonstrar poder perante os seus pares, familiares da vítima e a sociedade, numa clara represália a morte do policial Élcio Ramos Leite e na rendição do policial W.F.O.P.J .

A prisão preventiva ainda é defendida pelo argumento de que “em razão da gravidade do crime cometido à frente da sociedade e dos meios de imprensa que se faziam presentes no local, bem como em razão da patente que detém, o denunciado tornou-se um elemento temido. A sua liberdade fatalmente influenciará no ânimo das testemunhas, quer civis quer sejam militares de graduação inferior à sua, trazendo prejuízos à apuração dos fatos na fase judicial”, diz um dos trechos.

Outro lado

A defesa do major da Polícia Militar, W.F.O.J informou que ainda não foi intimada a apresentar as contrarazões.

No entanto, o advogado Ricardo Monteiro disse que não vê motivos que justifiquem a expedição de um mandado de prisão preventiva, por entender que não houve embaraço às investigações, coação à testemunha ou destruição de provas.

“É um pedido totalmente desproporcional e falta contemporaneidade. O fato ocorreu em agosto e somente após seis meses se pediu a prisão preventiva. Não há motivos que fundamentem uma prisão preventiva. As investigações transcorreram sem problemas e não há risco de fuga ou ameaça a ordem pública”, disse.

Monteiro ainda ressaltou que o major W.F.O.P.J é chefe de Batalhão no município de Juara e não oferece risco algum à instrução processual.

“O major W.F.O.P.J é servidor público, tem família em Mato Grosso e está trabalhando em Juara exatamente para evitar qualquer alegação de ameaça. A juíza Maria Aparecida Fago é bastante equilibrada e enérgica. Se o primeiro pedido foi negado, é porque não há nada nos autos que justifique”, disse.

O caso

Na tarde do dia 2 de agosto de 2016, os soldados Élcio Ramos Leite e W.J.S foram escalados para realizar uma diligência no CPA 3, em Cuiabá, e investigar a suspeita de comercialização ilegal de armas de fogo nas redes sociais por dois irmãos moradores do bairro.

Ambos estavam lotados no setor de inteligência da Polícia Militar no bairro Pedra 90. Havia a suspeita de que uma arma comercializada clandestinamente a uma quadrilha matou o comerciante Dieberg Paiva de Oliveira com um tiro na cabeça no bairro CPA II no dia 29 de julho de 2016.

Os militares marcaram um encontro no Terminal do CPA com os suspeitos do crime, os irmãos A.L.A.O e C.A.O.J ,fingindo que seriam clientes interessados em comprar a arma.

No local, foram orientados pelos irmãos a acompanhá-los até as suas residências, onde funcionaria uma distribuidora de água e a arma estaria guardada.

Ao chegarem na casa, C.A.O.J chamou um dos policiais, que se passava por falso comprador, para entrar na residência.

Porém, Saraiva percebeu que C.A.O.J tinha uma arma na cintura e, desconfiando da atitude, se recusou a entrar no quintal e na residência. Porém, Saraiva foi bruscamente puxado por C.A.O.J ,vindo a cair em cima de um sofá.

Enquanto era puxado para dentro das dependências da casa, Saraiva e seu companheiro Elcio Ramos Leite se identificaram como policiais, emitindo ordem para C.A.O.J se render.

Ao invés de cumprir a ordem, C.A.O.J investiu contra Saraiva em luta corporal, e, enquanto lutava, tentava sacar a arma da cintura com a clara intenção de fazer uso contra os dois policiais.

Nesse momento, A.L.A.O ,irmão de C.A.O.J, levantou rapidamente de um sofá onde estava e sacou um revólver que tinha a seu lado, exatamente a arma que estava sendo oferecida à venda, e veio em apoio ao irmão, apontando a arma para o policial Elcio e atingindo um disparo certeiro na cabeça.

A partir daí, C.A.O.J fugiu da casa e levou consigo a arma do policial Wanderson Saraiva e outro revólver de sua propriedade. Minutos depois, foi localizado e preso em flagrante.

Já A.L.A.O continuou dentro da casa em companhia de duas crianças alertando em voz alta que mataria qualquer um que entrasse para prendê-lo. Minutos depois, porém, fugiu da residência pulando muros e escondendo-se numa casa próxima. Após ser localizado, foi rendido, agredido e morto.

Foto: Divulgação

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