MORTE DE RODRIGO CLARO

Tenente do Corpo de Bombeiros colocou vida de aluno em risco, conclui inquérito

Inquérito Policial Militar (IPM), que apura as circunstâncias da morte do aluno bombeiro Rodrigo Patrício Lima Claro, 21, concluiu pela existência de indícios de crimes militares praticados pelo tenente-coronel BM Marcelo Augusto Reveles, comandante do 1º Batalhão da Capital e pela tenente Isadora Ledur de Souza Dechamps, instrutora do aluno.

Aponta ainda para indícios do cometimento de transgressões disciplinares, praticadas pelos militares: Licínio Ramalho Tavares, tenente-coronel BM, diretor de ensino da instituição, incluindo mais uma vez Marcelo Reveles e Isadora Ledur.

O IPM, presidido pelo coronel BM Alessandro Borges Ferreira, foi homologado pelo corregedor-geral substituto, também coronel BM Sandro dos Santos Caiallava e publicado em Boletim Reservado da Instituição, nesta sexta-feira (17).

Aponta que a tenente Ledur cometeu crime especificado no artigo 213 da Lei dos crimes militares:

Art. 213. Expor a perigo a vida ou saúde, em lugar sujeito à administração militar ou no exercício de função militar, de pessoa sob sua autoridade, guarda ou vigilância, para o fim de educação, instrução, tratamento ou custódia, quer privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalhos excessivos ou inadequados, quer abusando de meios de correção ou disciplina:
§ 1º Se do fato resulta lesão grave:
Pena – reclusão, até quatro anos.

O aluno Rodrigo Claro morreu no dia 15 de novembro do ano passado, depois de sofrer uma hemorragia cerebral.

Foi hospitalizado com o diagnóstico poucas horas depois de passar por um treinamento em água, comandado pela tenente Ledur.

Foi submetido a uma cirurgia de emergência e morreu depois de ficar cinco dias em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Tanto o IPM como o Inquérito Policial Civil, que ainda não foi concluído, partiram de denúncias da família de Rodrigo e dos outros 36 alunos da 16ª turma. Ledur é acusada de perseguir o aluno e no dia do treinamento, submetê-lo a várias sessões de afogamento (caldos).

O aluno reclamou do mal estar durante a prova e acabou abandonando, por sentir fortes dores de cabeça. Chegou a vomitar. Voltou sozinho, pilotando sua moto da Lagoa Trevisan, até o quartel, no bairro Verdão, quando informou aos superiores que se sentia mal. Logo depois passou a convulsionar na Policlínica do Verdão e foi removido para um hospital privado, onde morreu cinco dias depois.

A mãe do aluno, Jane Patrícia Lima Claro, aponta que a tortura a que o filho foi submetido, durante o treinamento, tem relação direta com a hemorragia que o levou a morte precoce.

 Leia abaixo reprodução do IPM

Veja Mais

Deixe seu Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *