LARANJAS NO PSL

Ex-presidente do PSL, Galli diz que cada candidato é responsável por sua prestação de contas

O ex-deputado federal Victório Galli (Patriota), ex- presidente do  Partido Social Liberal em Mato Grosso (PSL/MT), disse, nesta quinta-feira (27), em entrevista ao site Mato Grosso Mais, que cada candidato do PSL do estado que concorreu nas eleições do ano passado é responsável por sua própria prestação de contas eleitoral.

Galli relatou que os candidatos do PSL foram orientados em uma reunião sobre como prestar contas à Justiças Eleitoral, e que se um deles prestou contas de forma irregular, “fez disso de forma consciente”.

“Cada candidato tem CPF, CNPJ. Eu não sou responsável pela prestação de contas de outro candidato, sou responsável pela minha prestação de contas”, observou.

Veja vídeo gravado para Mato Grosso Mais:

A suspeita de uso de laranja pelo PSL de Mato Grosso veio à tona  após a exibição de uma reportagem do Jornal Nacional, da Rede Globo, na noite desta quarta-feira (26).

A matéria descobriu irregularidades em prestações de contas de candidatos do PSL nas eleições de 2018, em Mato Grosso e no Rio de Janeiro.

De acordo com o JN, o nome de Waldeny de Moura Pereira aparece na prestação de contas como doador do candidato Dr. Emilio Populo, suplente do PSL na Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

No papel, Waldeny teria dado dinheiro para a campanha. Ele aparece em dois recibos bancários apresentados à Justiça Eleitoral pelo Dr. Emílio Populo, um de R$ 1 mil, em setembro de 2018, e o outro de R$ 1.050, quase um mês depois.

“Não, de forma nenhuma. Você vê, aqui que é o meu barraquinho. É simples, é humilde. Esses caras fazer isso, usar a gente de má fé. Não dei um centavo. Eu não tenho nem para mim, meu amigo”, garante ele.

Waldeny diz que apenas ajudou a pedir votos para o candidato Dr. Emilio Populo na cidade de Juína (735 km a Noroeste de Cuiabá) e ficou indignado ao saber que o candidato declarou ter recebido R$ 2.050 dele para a campanha.

“Eu estou tranquilo. No dia que a Justiça me chamar, eu estou pronto para falar a verdade”, disse Waldeny.

Depois de receber uma denúncia, o Jornal Nacional bateu na porta de pessoas que participaram de campanhas do PSL em MT e descobriu casos em que as informações não batem. A pessoa diz que fez uma coisa, o candidato declarou outra à Justiça Eleitoral.

Foram entrevistadas pessoas que teriam sido usadas como laranjas para simular doações de dinheiro e de prestação de serviços, movimentando dinheiro de origem desconhecida.

Pela legislação eleitoral, os brasileiros podem ser doadores, desde que pessoa física. A doação é feita para um candidato ou um partido. Pode ser em dinheiro.

Qualquer um pode doar até 10% do seu rendimento anual. Pode ser em serviço: os brasileiros podem atuar, distribuindo panfletos de forma voluntária, ou emprestar um bem, como um carro.

Especialistas em direito eleitoral dizem que empresas, que estão proibidas de doar, ou pessoas que não querem se identificar repassariam dinheiro para o candidato ou para o partido por fora e esses recursos ilegais seriam movimentados de três maneiras: entrariam no caixa da campanha com o uso CPFs de laranjas para justificar a doação; para o pagamento de serviços, como distribuição de santinhos, mas que são declarados como voluntários; e na contratação de serviços, como aluguel de carros, que aparece como doação.

“Se for uma articulação do partido para seus candidatos, o partido pode sofrer uma sanção, uma punição, de perder dinheiro do fundo partidário, de algumas suspensões. Se for um candidato, ele pode responder pelo crime de fraude ao processo eleitoral”, disse o advogado Carlos Neves, da Comissão Eleitoral da OAB. Com G1/JN.

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  • 27 de junho de 2019 às 14:51:32
  • 27 de junho de 2019 às 13:11:30