SUPOSTA PROMOÇÃO PESSOAL

Câmara instaura CPI contra prefeita de Várzea Grande para apurar supostas irregularidades em slogan nos uniformes escolares

· 2 minutos de leitura
Foto: Assessoria

A Câmara Municipal de Várzea Grande instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a prefeita Flávia Moretti (PL) por suposta irregularidade no uso do slogan oficial da gestão — “Transparência, Trabalho e Progresso” — estampado nos uniformes escolares distribuídos aos alunos da rede municipal.

A abertura da CPI foi aprovada na sessão desta terça-feira (18), com apoio de 17 vereadores.

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Denúncia aponta promoção pessoal

A investigação foi motivada por denúncia de um morador, que acusa a prefeita de utilizar recursos públicos para promover sua imagem, em possível violação ao princípio constitucional da impessoalidade e à Lei Municipal nº 4.110/2015. A legislação proíbe o uso de propaganda institucional, direta ou indireta, em materiais escolares fornecidos pelo município, incluindo slogans, logomarcas ou símbolos da administração.

O denunciante apresentou fotos e documentos que, segundo ele, comprovam o uso indevido do slogan em uniformes e configuram publicidade de governo — prática vedada por lei.

Composição da CPI

A comissão foi formada por sorteio e terá a seguinte composição:

  • Presidente: vereador Sardinha (MDB)
  • Relator: vereador Carlinhos Figueiredo (Republicanos)
  • Membro: vereador Enfermeiro Emerson (PP)

A CPI terá prazo regimental para coletar documentos, ouvir testemunhas e produzir relatório final sobre eventual responsabilidade da prefeita.

Projeto retroativo levanta suspeitas

A denúncia também cita que a prefeita enviou à Câmara um projeto de lei com efeito retroativo para tentar regulamentar o uso do slogan nos uniformes após a distribuição do material. Para o denunciante, a iniciativa representaria um reconhecimento implícito de irregularidade.

A Prefeitura ainda não se manifestou oficialmente sobre a abertura da CPI.

Votação e divergências

O líder da prefeita na Câmara, vereador Bruno Rios (PL), criticou a rapidez da tramitação e afirmou que teve acesso à denúncia apenas minutos antes da votação. Ele pediu vista do processo, mas o pedido foi rejeitado pela Mesa Diretora.

Votaram contra a abertura da CPI os vereadores Cleyton Sardinha, Bruno Rios, Caio Cordeiro (PL), Rosy Prado (União) e Jânio Calistro (União).

Durante a discussão, o vereador Charles da Educação (União) disse ter alertado previamente a Secretaria Municipal de Educação e a própria gestão Moretti sobre o risco de ilegalidade no uso do slogan, por possível promoção pessoal.

O presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira, afirmou que o Legislativo cumprirá seu papel de investigar e encaminhar o relatório final aos órgãos de controle, lembrando que o caso também já está sob análise do Ministério Público.