Operação CNPJ na Cela cumpre 50 mandados em MT e investiga esquema de sonegação fiscal envolvendo empresas de fachada e contador
O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Mato Grosso (Cira-MT) deflagrou, na manhã desta terça-feira (03), a Operação CNPJ na Cela, destinada a desarticular um grupo criminoso envolvido em fraude fiscal no setor de grãos. A investigação aponta a criação de empresas de fachada, algumas registradas até em presídios, com participação de contador para dar aparência de legalidade às operações.
Ao todo, a operação cumpre 50 ordens judiciais, incluindo nove mandados de busca e apreensão domiciliar e pessoal, 21 ordens de suspensão de atividades econômicas de empresas, afastamento de sigilo de dados telemáticos e suspensão do registro profissional contábil (CRC). As diligências aconteceram na penitenciária Rondonópolis, Várzea Grande, com apoio da Polícia Civil e da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT).
Segundo o delegado João Paulo Firpo Fontes, responsável pelas investigações, afirmou que o registro de empresas de fachada em presídio representa “um escárnio” e demonstra a audácia do grupo criminoso. “A investigação descortinou o esquema, mostrando que tal audácia não será tolerada pelo Estado”, afirmou.
Já o delegado titular da Defaz, Walter de Melo Fonseca Júnior, ressaltou a participação do contador na engenharia da fraude, que conferia aparência de legalidade às empresas fantasmas. “A atuação do contador mostra a astúcia dos investigados em ocultar as práticas ilícitas”, segundo informações do promotor de Justiça Washington Eduardo Borrére destacou que a integração das instituições do Cira-MT é essencial para desarticular esquemas complexos, garantir a arrecadação correta de tributos e proteger a concorrência leal entre empresários que atuam na lei.
O secretário de Estado de Fazenda, Rogério Luiz Gallo ainda reforçou o impacto do esquema. “A utilização de empresas de fachada não apenas lesa o erário, mas prejudica o produtor e o empresário que atuam dentro da legalidade. O cruzamento de dados e a atuação integrada do Cira permitem identificar essas simulações e fiscalizar o setor de grãos, vital para a economia de Mato Grosso”, afirmou.
As investigações revelaram que o grupo simulava atividades rurais e utilizava dados de pessoas humildes ou vinculadas ao sistema prisional para criar empresas sem lastro econômico. Em algumas diligências, foram constatados endereços inexistentes ou incompatíveis com a atividade declarada.
