Esquema foi descoberto durante a Operação CNPJ na Cela, deflagrada nesta terça-feira
O delegado de Polícia João Paulo Firco, responsável pela investigação que resultou na Operação CNPJ na Cela, deflagrada nesta terça-feira (3), disse que uma organização criminosa chegou a registrar empresas usando o endereço de uma unidade prisional em Mato Grosso para cometer crimes de fraude fiscal e lavagem de dinheiro.
Segundo Firco, um dos principais articuladores do esquema já estava preso na Penitenciária de Rondonópolis e, mesmo assim, continuava coordenando a abertura de CNPJs de fachada, utilizados principalmente no comércio de grãos no estado.
De acordo com a investigação da Delegacia Especializada de Crimes Fazendários (Defaz), o grupo atuava de forma organizada, com divisão de tarefas. Enquanto o líder comandava as ações de dentro da cela, um contador era responsável pela parte operacional, utilizando acessos à Secretaria de Fazenda (Sefaz) para abrir empresas em nome de terceiros e emitir notas fiscais falsas.
A polícia também apurou que o grupo alugava imóveis residenciais para registrar empresas, mas, durante as diligências, constatou que os endereços não tinham qualquer atividade comercial, sendo casas comuns ou terrenos baldios.
“O nível de ousadia do grupo chama atenção, porque usar o endereço de um presídio para registrar empresa é uma afronta direta ao Estado”, afirmou o delegado.
A operação cumpriu mandados de busca e apreensão, além de medidas judiciais como suspensão de atividades econômicas e quebra de sigilos, nos municípios de Rondonópolis e Várzea Grande, além da penitenciária onde o investigado já cumpria pena.
As investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos e calcular o prejuízo causado aos cofres públicos.
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