Análises indicam contaminação da água e de peixes consumidos pela população da região norte de Mato Grosso
O Ministério Público de Mato Grosso abriu procedimento para apurar possível poluição por metais pesados na bacia do Rio Paranaíta, localizada no norte do estado. A medida foi tomada após relatórios técnicos encaminhados pelo Ministério Público Federal apontarem a presença de substâncias tóxicas como mercúrio, níquel, cromo e cádmio na região.
Os documentos também indicam que peixes predadores coletados apresentam níveis de cádmio acima do limite permitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), situação que acende alerta para riscos no consumo do pescado e para impactos ambientais.
As investigações levantam a hipótese de que a degradação e a elevada turbidez da água estejam associadas à atividade garimpeira desenvolvida nos municípios de Alta Floresta e Paranaíta, áreas que concentram exploração mineral.
Preocupação com a saúde pública
Responsável pelo caso, a promotora de Justiça Fernanda Alberton destacou a gravidade do cenário, já que alguns dos elementos encontrados possuem potencial cancerígeno e podem gerar danos à população exposta por longo período.
Segundo ela, a intenção do procedimento é garantir que moradores tenham acesso a informações claras sobre a qualidade da água e dos peixes consumidos na região.
Além dos metais, os relatórios apontam concentração elevada de nitrogênio, fator que prejudica a oxigenação do rio e ameaça diversas espécies aquáticas.
Fiscalização e novas análises
Diante das evidências iniciais, o Ministério Público determinou que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente realize vistoria técnica urgente e apresente a situação atual das licenças ambientais concedidas a garimpos que atuam nas proximidades.
O procedimento terá prazo inicial de 90 dias para novas coletas e exames laboratoriais. Caso a contaminação seja confirmada e haja identificação de responsáveis, poderão ser aplicadas punições por crimes ambientais e danos à saúde coletiva.
Segundo avaliação do autor da reportagem, a investigação busca assegurar transparência e proteger comunidades que dependem do rio para alimentação e sustento, evitando que a contaminação avance sem controle e gere consequências ainda mais graves para a região.