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O PMDB

Muito se reclama da quantidade de partidos políticos existentes país.

Pouco, no entanto, se fala sobre a característica de cada um deles.

Talvez porque já se tomou como verdade absoluta de que todos eles são iguais.

Há, aqui, um pequeno equívoco. Isto porque existem, entre eles, certas diferenças. Diferenças que se devem muito mais a característica formada pela prática cotidiana que, necessariamente, aos seus preceitos estatutários.

Até porque a imensa maioria dos políticos não conhece os estatutos das siglas em que estão filiados. Veja, por exemplo, o PMDB – a mais antiga e a maior agremiação partidária brasileira.

Esse partido estende seus braços em todos os Estados (são 27 PMDBs), com sustentáculos em um grande número dos municípios brasileiros.

Isto, somada ao tamanho de sua bancada federal, permite a ele permanecer sempre na garupa de quem se encontra à frente do poder de mando. Independentemente de quem seja.

Situação que tem proporcionado conforto e maior poder de barganha para sua cúpula, mas não desapareceu com seus conflitos internos.

Conflitos agravados pela divisão entre os diretórios regionais e o nacional, e a própria cisão na direção nacional.

Tanto que, nesta direção, é possível perceber claramente três grupos de peemedebistas em Brasília.

O primeiro deles, capitaneado pelo Renan Calheiros, aliado convenientemente com o governo Dilma. O segundo tem à frente o vice-presidente da República Michel Temer, que vem perdendo força dentro do governo para o grupo do Renan.

O terceiro é liderado pelo Eduardo Cunha. Este, em um dado momento, parecia imprimir um ritmo novo ao partido.

Porém, as denuncias que pesam sobre seus ombros, fizeram-no perder forças. Inclusive dentro da própria sigla.

Esta mesma situação é vivenciada pelo grupo do Temer.

Aliás, o próprio vice-presidente da República tem sérias dificuldades em se manter na presidência nacional do partido.

Sofre resistência sobremaneira dos chamados peemedebistas do Rio de Janeiro, cujas lideranças maiores são Luiz Pezão, Eduardo Paes, Sérgio Cabral e Moreira Franco.

Estes são, por conveniências, ligados ao presidente do Senado, Renan Calheiros.

O Renan Calheiros, próximo da presidente Dilma, que é tida como adversária política do Eduardo Cunha.

A presidente do país e o presidente da Câmara Federal, recentemente, valeram-se da mídia para atacarem-se mutuamente.

Ataques que se transformaram em temas, levando pessoas a se dividirem em dois grupos: o de aliados a petista e o do peemedebista, nas rodas de conversas nos botequins.

O país se viu dividido, assim como esteve igualmente nesta condição em outras épocas. Durante as eleições de 2014, e agora. Inclusive com relação ao impeachment da presidente Dilma.

Posicionar-se a favor ou contra alguma coisa é algo salutar e necessário, próprio da democracia.

O que não se deve, é claro, é a divisão que alimenta a raiva, o preconceito e o estado fascista.

E isto só acontece por falta de verdadeiras lideranças, embora se saiba que líderes têm contribuído sim para o quadro da selvageria.

Isso é o lado sombrio da falta de diálogo, de negociação e do saber lidar com a democracia.

E é em meio a tudo isso, que também se posiciona a cúpula peemedebista, o que pode acirrar ainda mais a crise interna, em razão dos interesses particulares.

LOUREMBERGUE ALVES é professor universitário e analista político em Cuiabá.

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