VERGONHA ALHEIA

Fla x Flu pode ser anulado por suposta interferência; leitura labial denuncia

A polêmica do gol anulado do Fla-Flu da última quinta-feira continua.

O Esporte Espetacular convocou um especialista em leitura labial para mostrar o que os jogadores e membros da arbitragem disseram durante os 13 minutos em que o jogo ficou paralisado.

Vários jogadores alertam o árbitro Sandro Meira Ricci que as imagens da TV mostravam que o gol havia sido ilegal.

E, antes da decisão final, Ricci é alertado também pelo inspetor de arbitragem da partida, Sérgio Santos, que diz:

– A TV sabe. A TV sabe que não foi gol.

Comentarista da TV Globo e ex-árbitro, Paulo César de Oliveira se mostrou surpreso com a demora para se tomar a decisão e afirmou que Sandro Meira Ricci só poderia ter recebido informações dos assistentes. A função do inspetor é apenas de dar suporte fora de campo.

– O absurdo muito grande foi a demora para tomar a decisão. No meu entendimento a culpa maior é do árbitro assistente Emerson Carvalho.

No primeiro momento ele tomou uma decisão correta que foi a marcação de impedimento.

Gum, Cícero e Henrique estavam em posição de impedimento, e o Henrique participou. O Inspetor de arbitragem não pode ter contato com o árbitro ou passar informação.

O árbitro só pode voltar atrás de uma decisão através da indicação de um dos assistentes ou do quatro árbitro.

São os únicos. A função do inspetor é avaliar o trabalho da arbitragem, dar suporte, mas não pode influenciar.

Quem vai decidir de existe uma interferência é o Tribunal (STJD).

O lance foi aos 39 minutos do segundo tempo. Gustavo Scarpa cobrou a falta e Henrique escorou, empatando a partida em 2 a 2.

Imediatamente, o assistente Emerson Augusto de Carvalho levantou a bandeira, assinalando impedimento do zagueiro.Após pressão dos tricolores, o árbitro Sandro Meira Ricci voltou atrás e validou o gol.

Foi a vez dos rubro-negros reclamarem.

O jogo ficou paralisado por 13 minutos, com muita gente em campo pressionando.

 Luis Felipe Ramos, especialista em leitura labial, viu as imagens e analisou cada detalhe:

Ao saber que foi marcado sua condição irregular, Henrique corre em direção do assistente e grita:

– Eu não, eu não, eu não, eu não. O gol foi meu, o gol foi meu, o gol foi meu.

Gum complementa:

– O gol foi do Henrique, o gol foi dele.

Os jogadores do Fluminense cercam o auxiliar, que espera a chegada do árbitro Sandro Meira Ricci.

O assistente fala alguma coisa, e o juiz aponta para Henrique. Emerson Augusto de Carvalho segue falando, e o juiz aponta gol.

Depois, é a vez dos jogadores do Flamengo cercarem o bandeirinha. O zagueiro Rafael Vaz diz:

– Aqui, ó, na televisão estava, sim! Estava, sim, estava, sim. Na televisão estava.

Jorge também pressiona:

– Estava impedido. A televisão falou.

Os minutos que se sucedem tem discussão entre os atletas. Enquanto os jogadores do Fluminense querem o recomeço de partida, os rubro-negros seguem tentando convencer o trio de arbitragem do erro.

– Vamos jogar, vamos jogar. Estava impedido? Estava impedido é o cara***. Estava impedido po*** nenhuma – disse Richarlison para William Arão.

Pará repete várias vezes: “Professor, na TV sabe, na TV sabe, na TV sabe”.

Sandro Meira Ricci pede calma. Começa um empurra-empurra, e um homem aparece no vídeo. É o inspetor de arbitragem da partida, Sergio Santos. Ele se aproxima e fala com o juiz:

– A TV sabe, a TV sabe que não foi gol.

Depois diz aos jogadores que o cercam:

– Não sei mais de nada, não sei mais nada.

O árbitro faz um sinal de positivo com a cabeça, e o assistente Emerson Augusto diz “pode deixar”.

O juiz tira o fone, e William Arão grita:

– Sandro, o Henrique estava impedido, os dois estavam impedidos.

É a vez do Henrique interpelar o árbitro:

– Está de sacanagem? Está de sacanagem? Está de sacanagem?

Em um momento importante, o assistente fala para o árbitro:

– Presta atenção, ainda tem gente aqui (reclamando da confusão), presta atenção, o gol é impedido, é impedimento.

Em seguida, o bandeirinha fala para o juiz o que de fato aconteceu:

– Mas, verdade. Está impedido. Impedimento, para mim, estava.

O inspetor de arbitragem Sérgio Santos volta a se aproximar do árbitro e pede uma decisão:

– Bora (sic), decide ou anula? O que você falou?.

Henrique ouve a conversa e grita na mesma hora:

– Está de sacanagem? Tem que falar, tem que explicar”.

O assistente fala para o juiz:

– Pra mim, está impedido. Dá o impedimento.

Na imagem fechada, Gustavo Scarpa, já percebendo qual seria a decisão do árbitro, fala para o assistente:

– Está de brincadeira, está de brincadeira, velho – diz.

Sandro se encaminha para a área e decide de vez anular o gol. Ele chama os dois capitães, Rever e Gum.

– Posso falar? Eu vou explicar o que aconteceu, para de xingar. Agora, é mais difícil explicar o que aconteceu, tá? Gum, a gente está fazendo o melhor, filho. Ô, filho, não faz isso, não. A gente está fazendo o melhor”.

E Rever diz:

– Está certo. Depois a gente vai ver que tinha dois ou três impedidos, Gum.

Cícero volta a pressionar o árbitro:

– Só dá para ver lá de fora. Por isso, ele mudou”.

Sandro responde:

– Hein, a gente não consegue ver – diz

O jogo recomeça 13 minutos depois do lance.

Comentário do Editor MT Mais: O gol de Henrique não valeu, estava de fato impedido. O problema é que a interferência externa pode ter influenciado no resultado do jogo. Ou seja, se o árbitro tomou a decisão de validar o gol, teria de manter o que decidiu. Mas devido à confusão, fica claro que houve informações vindas extra-campo que chegaram ao conhecimento de Sandro Meira Ricci e o fez voltar atrás após dar o gol do Flu. Ou seja, mesmo tendo validado um gol irregular, deveria manter o seu posicionamento, já que influências externas não podem alterar resultado do jogo. Mas o dado curioso dessa situação é que do outro lado o adversário é o Flamengo. E isso levanta a suspeita de que esse time sempre é beneficiado em lances polêmicos, em outros lances, nem tanto polêmico, também são. A decisão está com o STJD...

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